Um relatório da Polícia Federal tornado público pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) manteve investimentos no Banco Master. O nome do parlamentar aparece em uma relação de clientes da instituição, com uma aplicação de R$ 167.298 em Certificado de Depósito Bancário (CDB), cujo valor atualizado chegaria a R$ 194.897,19.
As informações foram encontradas em um documento enviado, em agosto de 2025, ao então superintendente-executivo de Tesouraria do Master, Alberto Felix. O material teve o sigilo retirado na quinta-feira (30), mas a própria PF classifica os elementos reunidos até agora como preliminares e indiciários, sem conclusão definitiva sobre eventual irregularidade envolvendo o investimento.
Além da aplicação financeira, os investigadores analisam possíveis benefícios concedidos a Wagner pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master. Os autos mencionam uso de aeronaves, ingressos para shows e acesso a imóvel de luxo, vantagens que, segundo a linha investigativa, poderiam estar relacionadas à atuação do senador em favor do banco no Congresso. Parte dessas transferências teria ocorrido por meio de empresas, fundos e pessoas interpostas.
Wagner afirmou nesta sexta-feira (31) estar tranquilo e disse ter “certeza de que vai provar sua inocência”. Em entrevista à Rádio Baiana FM, o senador declarou que está concentrado na eleição de outubro e na convenção partidária deste sábado, que contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também afirmou que deixou a liderança do governo no Senado para evitar que as apurações prejudicassem a atuação da base governista.
O parlamentar foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho para investigar relações entre ele, Augusto Lima e personagens ligados ao Banco Master. A defesa tenta anular as medidas adotadas contra o senador, enquanto a PF segue examinando documentos e movimentações financeiras. A investigação continua sob relatoria de André Mendonça no STF.