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Política & Poder

Radicalismo vira ameaça nas eleições da capital

Arquivo Geral

10/04/2018 7h23

Reprodução

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

Os ovos arremessados contra o governador Rollemberg (PSB), no aniversário de 47 anos de Ceilândia, simbolizam no DF o radicalismo na politica, a polarização extrema, o “Fla x Flu” ideológico. O caso está em investigação pela Polícia Civil, pois além da agressão existe a convicção de se tratou de uma performance orquestrada. Mesmo assim, divide opiniões entre pré-candidatos ao Buriti. Alguns reprovam sem ressalvas. Para outros o ato é resultado natural da desaprovação do governo.

“Independente de ser orquestrado ou não, é totalmente errado. Independente de gostar ou não do politico, arremessar qualquer objeto contra ele não está em conformidade com a política atual”, pondera o cientista político Valdir Pucci. Segundo o especialista, violência e ódio fragilizam a elaboração de argumentos coerentes e a construção de soluções concretas para as chagas da população e do Estado.

“A violência é a prova da falta de argumentos. É uma declaração, clara e cabal. Empobrece o debate político, principalmente de quem a prática”, completa. Na interpretação de Pucci, o debate político nacional vem sendo intoxicado pelo radicalismo, seja pela direita, seja pela esquerda. Segundo o especialista, o voto é a melhor forma de manifestação da população,seja para aprovar ou para reprovar determinados governantes ou parlamentares.

Do ponto de vista do PSB, existem indícios de uma armação. “Estão tentando implementar um clima de hostilidade em relação ao governo. O que não não pode ser aceitável nem pelos partidos e nem pela população de bem. Esse tipo de ação leva à irracionalidade, condutas imorais e ilegais”, desabafa o presidente regional da agremiação, Tiago Coelho. O dirigente aguarda as investigações.

Segundo fontes do JBr, as pessoas que teriam lançado os ovos estariam acompanhadas de uma advogada, que depois apareceu na delegacia. Havia também um plano de filmagem e posterior transmissão da cena. Uma das investigadas seria até filiada a um partido político que rompeu recentemente com o Rollemberg.

“O que reina hoje é uma polarização que vem contaminando o cenário. Politica não se faz com armas e punhos. Politica se faz com dialogo e construção de políticas públicas”, adverte Tiago. O Buriti não quis comentar o caso.

Potenciais rivais nas eleições reprovaram o ato. “Não acho que agressão seja remédio. A intolerância não é uma boa conselheira”, comenta Jofran Frejat (PR). O republicano considera válida a revolta da população, mas defende que a resposta seja dada nas urnas. “De qualquer forma, é um alerta para a situação do DF”, resume.

Pré-candidato pelo PRP, o general Paulo Chagas não aplaude a atitude. “Lamento que as coisas tenham chegado a este ponto. Entendo a indignação, mas não é o caso de jogar ovos. Até onde sei, o governo dele é reprovado, mas não cometeu crime. Ele não foi condenado em 2ª instância, como o ex-presidente Lula (PT). Esse sim é um malfeitor”, argumenta.

População se revolta, aposta tucano

A miséria e o desemprego justificam as ovadas, segundo o pré-candidato ao GDF, deputado federal Izalci Lucas (PSDB). Para o tucano, atos de violência não podem ser endossados e incentivados por partidos, mas no caso do DF podem ser compreendidos. Segundo Lucas, os ovos são a revolta da população carente de serviços públicos, enquanto o governo faz cara de paisagem e prega uma gestão sem falhas.

“Tudo isso é muito desagradável. Mas o governador ficou isolado no gabinete. Ele já passou por outros constrangimentos em diversos eventos públicos”, lembra o parlamentar. O empresário Alexandre Guerra, aposta do Partido Novo para o Buriti, esteve no aniversário de Ceilândia, na sexta-feira passada (06/04) e não notou nenhum clima de animosidade.

“Apesar de ser um atitude que não dá para aprovar, apesar disso a população tem razão de protestar”, afirma. Na leitura de Guerra, o ovo representa a desaprovação, o desabafo da população, bem como a impopularidade do atual governo. “Nossas pesquisas qualitativas mostram que a população está com um nível de rejeição muito grande com os políticos tradicionais. Os políticos que vivem prometendo, mas não entregam vão ter muito dificuldade”, antecipa.

Neste debate, o presidente regional do PTB, Alírio Neto (PTB), carrega nas tintas. “Cada um colhe o que planta. Você promete mundos e fundos para ganhar a eleição. Não cumpre. Vai ter esse tipo de reação mesmo”, dispara o pré-candidato a governador.

Saiba mais

O voto consciente é definido não por simpatias ou promessas de benesses, segundo Valdir Pucci. É o voto definido pela prestação de contas do político. Neste caso, o eleitor segue os princípios da expressão em inglês: accountability.

Alírio Neto aponta que grande parte dos compromissos de campanha assumidos por Rollemberg estão pendentes.

De acordo com o presidente regional do PTB, este episódio desperta a necessidade da criação de mecanismo jurídico para cassar políticos que desonrem, durante o mandato, as promessas feitas durante a campanha .

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