Rudolfo Lago
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Para um partido com pouco mais de um ano de existência, seria uma ascensão meteórica. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, trabalhou durante o segundo semestre deste ano para tentar fundir seu partido, o PSD, ao PP do deputado Paulo Maluf (SP). Se a união desse certo, o novo partido já se tornaria a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 87 deputados, ultrapassando o PT, que tem 85. E Kassab, que pretende aliar o partido à presidente Dilma Rousseff, já entraria no governo cobrando fatura proporcional ao tamanho da legenda, em número de ministérios.

A ideia seduz o PSD, mas encontra resistências no PP. “Por enquanto, ela está parada. Não evoluiu, mas também não morreu”, diz o líder do PSD na Câmara, deputado Guilherme Campos (SP). “Eu, pessoalmente, sou imensamente favorável a ela; acho que seria boa para ambos os partidos”, prega Campos.
As conversas sobre a fusão esbarraram, porém, na resistência de alguns líderes do PP. A articulação de Kassab foi feita principalmente com o próprio Paulo Maluf, o que aumentou a insatisfação de outros líderes, especialmente o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ). A senadora Ana Amélia (PP-RS) também colocou-se contra a fusão. “No PSD, a proposta é bem recebida. Mas ela realmente não evoluiu bem no PP. Assim, tivemos que parar no momento a conversa”, diz Guilherme Campos.
A possível união do PSD com o PP não é a única conversa de fusão e extinção de partidos que acontece. Ainda que congeladas momentaneamente, mais ou menos abandonadas, outras discussões semelhantes deverão acontecer em 2013, um ano sem eleições, no qual, portanto, tais projetos têm maiores condições de evoluir. O próprio PSD chegou a ter discussões semelhantes com o PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
No caso do PSB, as conversas evoluíram mais para a possibilidade de uma atuação conjunta do que de fusão. Na verdade, Eduardo Campos foi um dos principais estimuladores da criação do PSD, imaginando incorporá-lo nos seus projetos políticos futuros. Os dois partidos, porém, afastaram-se.
Mesmo mutilado, DEM ainda sobrevive
Entre os partidos de oposição, as conversas sobre extinção e fusão acontecem. Muito mais pelo desempenho mais fraco que amargam enfrentando os dez anos de PT no poder. O DEM, por exemplo, reduziu quase à metade seu desempenho nas eleições municipais deste ano em comparação com 2008: elegeu 278 prefeitos contra 493 que elegera nas eleições anteriores. A queda de desempenho no PPS foi menor: elegeu 123 prefeitos contra 129 que fizera em 2008. E mesmo o PSDB viu cair seu desempenho: 702 prefeitos eleitos agora contra 781 em 2008. Tal situação fez com que surgisse a ideia de fusão dos três principais partidos de oposição. De acordo com os principais líderes do DEM e do PPS, porém, essas ideias estão completamente superadas.
“Isso não tem a menor possibilidade de acontecer”, rejeita o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN). “O DEM ganhou a terceira capital do País, Salvador. Ganhou importantes cidades de porte médio, como Barueri (SP)”, diz.
Aposta em Marina falhou
No PPS, as ideias de mudanças estiveram mais próximas do grupo de Marina Silva, candidata do PV à Presidência em 2010 e atualmente sem partido. Segundo o presidente do PPS, chegaram a estar bem fortes as conversas para que Marina ingressasse no PPS, em vez de, como pretende, criar um novo partido. “Nessa hipótese, nós poderíamos mesmo criar uma nova legenda com a união dessas forças”, conta Roberto Freire. Mas, segundo ele, ao final as conversas não prosperaram, e Marina deve seguir outro caminho. A possibilidade de fusão com o PSDB, outra hipótese que chegou a ser aventada, segundo Freire, é bastante improvável. “Nós vamos seguir. Creio que hoje, embora pequenos, somos a força mais consistente de oposição ao governo”. Já a formação de bloco na Câmara entre PSD e PSB chegou a ser discutida, mas a aproximação de PSD e PT a inviabilizou.