Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com
Candidato a reeleição, o governador Rollemberg (PSB) assumiu o compromisso de zerar a fila da creche. Alberto Fraga (DEM) prometeu contratar uma empresa de auditoria para destrinchar as contas públicas. Concorrentes ao Buriti apresentaram estas e outras ideias na Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL/DF), nesta quinta-feira (13).
Segundo Rollemberg, hoje existem 25 mil crianças na fila da creche. O investimento necessário à inclusão iria a R$ 200 milhões, por ano. Ao setor produtivo, o governador também prometeu ampliar o limite de adesão das micro e pequenas ao Simples, do atual patamar de R$ 3 milhões, para R$ 4 milhões. Rollemberg também se comprometeu a acabar, gradativamente, com a dupla tributação da substituição tributaria do Simples no DF. Prometeu também usar o Banco de Brasília (BRB) para fomentar o mercado.
A médio prazo, Rollemberg prometeu reescrever a Lei Orgânica do DF, com foco na melhoria do ambiente de negócios e na geração de empregos. Fraga quer contratar empresa especializada para detalhar as contas do governo e ainda garantiu a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa.
Sem apresentar detalhes, o candidato do DEM disse que vai reformular o Pró-DF. Também acenou com a criação de um Na Hora Empresarial e de diretorias de desenvolvimento econômico em cada administração regional. De olho na captação dos R$ 30 bilhões da Dívida Ativa, Fraga prometeu que não irá incentivar a farra do Refis.
Garantindo o fim da Agefis, Fraga declarou que a Polícia Militar e as administrações farão fiscalização preventiva contra invasões. Assumiu o compromisso de fixar prazos para as entregas de Habite-se, alvarás e demais documentos necessários para setor produtivo. O candidato também deu a palavra de que irá acabar com o polêmico contrato com empresas de ônibus e de que colocará presos para trabalhar na reforma de escolas.
Reajustes e moradia para servidor
Rogério Rosso (PSD) prometeu um programa habitacional para servidores públicos. Questionado pela viabilidade da promessa de reajuste para os funcionários brasilienses, alegou que o aumento reaquecerá a economia. Rosso, inclusive, negociou com o presidente do Senado, Eunício Oliveira), a devolução da medida provisória que suspende o reajuste dos servidores federais.
Para Rosso, o DF deve abrir caminhos para o crescimento da iniciativa privada, mas não pode abandonar as raízes públicas. “A cada R$ 100 de massa salarial no DF, R$ 67 são dos servidores”, afirmou. Além de manter os projetos habitacionais na lista positiva da Codhab, prometeu tirar do papel quatro conjuntos habitacionais para os servidores, com a oferta de 6 mil a 10 mil moradias, por unidade.
O nome do PSD também declarou que quer usar o BRB como agente de fomento. Neste sentindo, prometeu a criação de zonas de desenvolvimento econômico personalizadas para cada região administrativa. Rosso assumiu o compromisso de fazer com que as empresas do DF entrem no mercado das compras do Governo Federal.
Alexandre Guerra (Novo) reforçou o comprometimento com redução e a profissionalização do governo. O candidato garantiu irá as secretarias pela metade e reduzirá o quadro de comissionados de 18 mil para 8 mil, gerando uma economia de R$ 350 milhões.
Dentro desta reformulação, será criada uma Secretaria de Competitividade e Produtividade. Os administradores regionais serão escolhidos por um processo seletivo. Entre as promessas já feitas publicamente, Guerra reafirmou a concessão do Metrô e a abertura de capital da CEB e do BRB.
Guerra contou que também planeja a criação de uma espécie de Na Hora empresarial. No debate com os empresário explicou que quer criar um aplicativo ou um serviço digital para que os cidadãos e empresários possam resolver todos os problemas pela internet.
Líder nas pesquisas de intenção de voto, até sexta-feira (14), a candidata Eliana Pedrosa (Pros) também foi convidada para a conversa com o setor produtivo. Contudo, não pode comparecer.
Ponto de Vista
O mercado precisa de medidas urgentes para enfrentar a crise, amanhã mesmo. Assim pensa o presidente da CDL, José Carlos Magalhães Pinto. De imediato, no âmbito do Simples, o setor precisa do fim da cobrança de diferença de alíquota das empresas e da substituição tributária. As duas distorções geram cobranças indevidas de tributos. O aumento do teto de participação do Simples para R$ 4 milhões também é fundamental, pois esta é a medida nacional. A médio prazo, o empresariado espera a criação de polos de varejo. José Carlos classifica a conversa com os candidatos como positiva. “Todos se preocupam com o setor produtivo. É bom. Fico preocupado quando prometem benefícios para A, B e C, quando o DF não tem um tostão para os investimentos necessários. Não ficou muito claro se vão escolher secretários de Fazenda e Desenvolvimento Econômico com perfil desenvolvimentista. Fico muito preocupado com isso. O tempo de pensar o DF só como cidade administrativa já passou”, comentou.