Rio, 06 – Fragilizado após derrotas no Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra nesta quinta-feira, 7, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para uma “visita de trabalho” – uma reunião menos formal do que uma “visita de Estado”, com menos protocolos e cerimoniais.
A visita de Lula a Washington vinha sendo adiada desde março, quando os governos não encontraram uma data para a pretendida reunião, articulada desde o fim do ano passado e combinada em janeiro, em telefonema entre Lula e Trump.
A reunião, prevista para março, foi adiada em meio à escalada da tensão no Oriente Médio, envolvendo a guerra no Irã. O que, inicialmente, esbarrava em uma compatibilidade de agendas, também esbarrou nas prioridades do governo americano.
Nesta quinta-feira, Lula levará uma pauta focada na discussão sobre uma possível parceria no controle de fluxo financeiro de organizações criminosas transnacionais, tarifas, minerais raros, regulação de big techs, energia e petróleo e questões diplomáticas.
Nas últimas semanas, Lula subiu o tom em críticas diversas a Trump, e os governos viveram uma crise diplomática que envolveu a expulsão de agentes policiais.
A reunião neste mês é vista por interlocutores do presidente Lula “em um bom momento”, em que os EUA e Irã debatem um acordo de paz e, se houver avanços em acordos comerciais e em relação ao temas de segurança pública, com dividendos políticos às vésperas do período eleitoral.
Outro argumento utilizado para que o encontro não fosse postergado é justamente a aproximação das eleições brasileiras. O temor de integrantes do governo é que o encontro não acontecesse nos meses que antecedem o pleito.
Segurança em pauta
O vice-presidente da República Geraldo Alckmin afirmou na terça-feira, 5, que o encontro do presidente Lula com Trump será uma boa oportunidade para os dois países assinarem acordos em várias áreas.
Segundo Alckmin, o presidente Lula tem colocado que não há tema proibido. “Então, vamos conversar sobre big techs, terras raras, data centers, política tarifária e não tarifária. Você tem aí uma agenda importante”, disse Alckmin em entrevista à GloboNews. “Estou muito confiante nessa ida do presidente Lula e nesse encontro com o presidente Trump.”
Lula deve levar a Trump, entre outros assuntos, a proposta de assinatura de um novo acordo de combate ao crime organizado, segundo Alckmin. “Em relação ao crime organizado, esse é um tema que o presidente Lula já levou ao presidente Trump e vai levar novamente, que é um acordo para o combate a organizações criminosas transnacionais. Nós podemos fazer muita parceria nessa área: controle de fluxo financeiro, investigação. Esse é um tema extremamente relevante”, disse.
Estadão Conteúdo