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Política & Poder

Política do RJ virou ‘salada mista indigesta’, mas STF cria pânico na crise, diz ex-governador

Nilo Batista assumiu o estado em 1994 após a renúncia do titular para disputar a Presidência

Redação Jornal de Brasília

18/04/2026 9h14

ITALO NOGUEIRA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

O advogado Nilo Batista, 82, ex-governador do Rio de Janeiro, não gosta de ser chamado pelo título que o Palácio Guanabara lhe conferiu.

A rejeição não se deve ao destino de seus sucessores, quase todos com problemas na Justiça e passagens pela prisão. Mas por se ver como um “velho advogado e professor de direito penal” atualmente distante da polítca.

Apesar disso, Nilo recebeu a reportagem em seu escritório na Glória, zona sul do Rio de Janeiro, na quarta-feira (15) para comentar a crise institucional no estado e a sequência de infortúnios de seus sucessores -todos causados por artigos do Código Penal, sua especialidade.

“Eu diria que discutíamos mais ideias e programas. Não discutíamos assim: ‘Olha, vamos privatizar a Cedae [companhia de água e esgoto] que vai sobrar R$ 15 bi para a gente se reeleger’. Perdeu-se um pouco a ideologia no sentido de um conjunto de ideias políticas orientadas numa direção. Isso é completamente saudável no debate político. E isso pegou férias no debate político no Rio.”

Vice-governador no segundo mandato de Leonel Brizola (1991-1994), Nilo Batista assumiu o estado em 1994 após a renúncia do titular para disputar a Presidência. O advogado atribui a crise política constante no Rio de Janeiro à derrota do grupo político de seu líder.

“O que venceu foi uma salada mista e, na minha opinião, um pouco indigesta”, afirmou.

Apesar disso, ele critica a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de manter o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, como governador interino mesmo após a eleição de Douglas Ruas (PL) como presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) .

“O deputado do PL deve ganhar e aí vai se encastelar no Guanabara e vai fazer a campanha com a caneta na mão. Vai ter uma vantagem. Mas não é o que está na Constituição?”

Ele também criticou as declarações do ministro do STF Gilmar Mendes, ligando quase metade da Alerj ao jogo do bicho. “Era preciso que a polícia provasse. Se a gente entra nesse assunto pela irracionalidade, pela produção de pânico, a gente entra pela pior porta possível.”

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