Rudolfo Lago
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Ao confrontar seus mapas iniciais com o resultado final da votação para presidente da Câmara, os líderes peemedebistas chegaram à conclusão de que o PT despejou votos no candidato dissidente do PSB, Júlio Delgado (MG), para diminuir o peso da vitória do PMDB, com Henrique Eduardo Alves (RN).
Os prognósticos dos que articulavam a candidatura de Henrique eram de que ele teria mais de 300 votos. Ele teve 271. Estimava-se que Júlio teria no máximo 130 votos. Ele teve 165. E que a outra candidata do PMDB, Rose de Freitas (ES), poderia ter pouco mais que os 47 votos que obteve. Somente os 11 votos de Chico Alencar, do pequeno PSOL, conferiam com as previsões iniciais.
“Houve um deslocamento de votos da base, especialmente no PT, para o Júlio Delgado. Esses votos não foram para a Rose porque seria trocar um do PMDB por outro do PMDB”, analisou o experiente deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), o segundo parlamentar mais antigo da Câmara dos Deputados. Mais antigo do que ele, só o novo presidente da Câmara. Henrique chega ao posto mais alto entre os deputados no seu 11º mandato consecutivo.
A leitura feita é que se engordou a votação de Júlio Delgado para diminuir o peso da vitória do PMDB, que não mais dividirá com o PT o comando do Poder Legislativo, como vinha acontecendo. Ao contrário da conformação anterior, quando o PT tinha o comando da Câmara com Marco Maia e o PMDB o do Senado, com José Sarney, os peemedebistas agora dirigirão as duas casas.
Os votos desviados não foram suficientes para alterar o resultado, mas sim para diminuir a vantagem peemedebista, deixando visível a sombra do PSB, com as pretensões de seu líder, o governador Eduardo Campos. Assim, fica mantida a tensão entre os dois parceiros do governo, uma tática que interessa ao PT.
Renan promete reformas
Na solenidade de abertura do Ano Legislativo, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu a aprovação de reformas para que o País se torne “insubstituível” como destino dos investidores internacionais.
O novo presidente citou a votação da mudança do indexador das dívidas dos Estados e dos municípios e das novas regras de rateio do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal como matérias importantes a serem apreciadas este ano. O peemedebista também destacou que, para o País ter “assento entre as grandes nações”, é preciso aprovar as reformas tributária e política. Na última proposta, ele defendeu a adoção do financiamento público das campanhas políticas.
“Vamos levar adiante a votação das reformas microeconômicas para o Brasil. Elas são imprescindíveis para o País”, afirmou. “Estou certo que nossa conduta estará pautada pelo bem comum e a fim de igualar as oportunidades”, completou.
Políticos vilipendiados
Já a mensagem de Dilma aos congressistas destacou a forma como a população trata a ação política. Para a presidente, hoje prevalece o desprezo pelas atividades políticas.
“Nesse momento em que a atividade política é tão vilipendiada, faço questão de registrar meu sincero reconhecimento ao imprescindível papel do Congresso na construção de um Brasil mais democrático, justo e soberano”.