Rudolfo Lago
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Há um pibão, ou melhor, um pibinho no caminho da reeleição da presidente Dilma Rousseff. Quando, há alguns dias, ela declarou que seu maior desejo para 2013 era conseguir um “pibão bem grandão”, ela, na verdade, tornava explícito o seu grande receio político. Tanto ela como seus principais adversários começam a avaliar que, bem mais que nos últimos anos, serão os fatores econômicos que determinarão o resultado das eleições presidenciais em 2014. E, nesse sentido, 2013 deverá ser um ano decisivo.

“A presidente Dilma tem pela frente um grande desafio. O cenário econômico mundial é de certa forma adverso, e ela se esforça para enfrentá-lo. Mas tenho certeza de que ela terá muito sucesso”, prevê o senador Jorge Viana (PT-AC). Na verdade, desde os seus primeiros dias de governo, Dilma já havia esboçado seu plano para 2013, que marca o início da segunda metade de seu mandato. A busca por um “pibão” ou, traduzindo, por uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) com percentuais bem mais altos que os 1,5% registrados recentemente, faz parte desse plano. Tornou-se mesmo uma obsessão para Dilma. E pode ser a diferença a torná-la ou não uma candidata competitiva nas eleições de 2014.
O plano da presidente Dilma consistia em dividir de forma nítida os períodos de seu mandato, no que se refere à política econômica. Na primeira metade, ela seguiria apenas o receituário herdado do ex-presidente Lula.
Novos rumos
Ou seja: a manutenção, com a ampliação possível, das políticas de redistribuição de renda e de concessão de crédito para as classes mais baixas. O caminho que alavancou a economia no governo Lula, trazendo milhares de pessoas para o mercado de consumo e aumentando imensamente o tamanho da classe média. Desde o segundo semestre deste ano, principalmente, Dilma começou a construir os primeiros pilares da segunda etapa, que pretende implementar a partir do ano que vem.
Nessa segunda fase, a intenção de Dilma é transformar esse incremento no mercado de consumo, com o advento da nova classe média, num caminho efetivamente para alavancar o crescimento do país. Em conversas com o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, Dilma tem percebido que há um nó no modelo adotado até agora que é preciso desatar. Há mais pessoas consumindo, mas elas não estão necessariamente consumindo produtos brasileiros.
Baixar custos, a nova aposta
A nova etapa pretendida por Dilma visa atacar o chamado Custo Brasil para tornar a indústria brasileira mais competitiva, fazendo, assim, que o País alcance um novo estágio de desenvolvimento. Criar, portanto, condições para que caia o custo da produção. O brasileiro tem hoje mais condições de consumir, mas quem ganha são países mais competitivos, com custo de produção mais baixos, como a China.
É nessa ideia que se encaixa o trabalho feito pelo governo para baixar as taxas de juros bancárias e a queda de braço agora com as empresas hidrelétricas para baixar as tarifas de energia. Se Dilma acertar, o crescimento significará indústrias mais fortes e mais empregos. Ou seja: estará, assim, pavimentado o caminho da sua reeleição.
Não foi por outra razão que Dilma ficou imensamente irritada com o fato de o Congresso não ter conseguido terminar o ano aprovando o orçamento de 2013. Sem a aprovação do orçamento, fica mais difícil fazer investimentos. E Dilma pretendia começar o ano buscando parceiros na iniciativa privada.
Presidente joga fichas no crescimento
Se Dilma falhar, a crise poderá fazer com que o eleitor comece a considerar a hipótese de uma alternativa. E é nisso que desde já trabalha o PSDB, especialmente o senador Aécio Neves (PSDB-MG), possível candidato da oposição na eleição presidencial de 2014, e aqueles que trabalham com ele. Mas Dilma já conseguiu aliados fortes no empresariado, como Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Tudo isso mostra que, a disposição tanto de Dilma como de Aécio indica que o debate político ganhará contornos econômicos a partir de 2013.