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Política & Poder

PF vê suspeitas de atuação de Jaques Wagner no Senado a favor do Banco Master

Ambos foram alvos de operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), nesta quinta-feira (18)

Redação Jornal de Brasília

18/06/2026 11h02

Foto: Divulgação/Polícia Federal

Foto: Divulgação/Polícia Federal

JOSÉ MARQUES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A Polícia Federal vê suspeitas na atuação parlamentar do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula (PT) no Senado, em favor de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

Ambos foram alvos de operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), nesta quinta-feira (18).

Segundo a decisão que autorizou as buscas e apreensões, além de ter uma relação próxima e de confiança com Lima, há indícios de que Wagner atuou a favor do empresário no Congresso Nacional.

Uma das pautas mencionadas é a de uma emenda em medida provisória convertida em lei de 2022, que trata de ampliação de crédito consignado. A atuação aconteceu em data próxima, segundo a PF, de relações contratuais entre o Master e a empresa da esposa de seu enteado.

A decisão também menciona uma emenda a uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que tratava do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

“Em 13/08/2024, data da inclusão da emenda, Augusto realizou chamada de voz para Jaques Wagner, com duração de 9min19s, e logo depois encaminhou ao parlamentar o link da emenda. Posteriormente, em 27/08/2024, após encontro presencial, Augusto reencaminhou o link da emenda ao senador”, diz a decisão.

“Também merece destaque a mensagem de 29/03/2025, em que, ao explicar a Jaques Wagner os termos da operação de venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília), Augusto afirmou: ‘Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!'”, afirma o documento.

“A frase indica que Jaques não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”, completa.

Procurado por meio da assessoria de imprensa por mensagem às 7h, Wagner ainda não se manifestou.

Em nota, os advogados de Lima afirmam que “as diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”.

“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”, diz o comunicado, assinado por Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello.

A PF apura suspeitas de que Wagner recebeu pagamentos ligados ao Master por meio da empresa da esposa do enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

A apuração foi feita a partir da análise de material apreendido com Augusto Lima, que foi alvo novamente de buscas.

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