Francisco Dutra
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Ao menos 600 militantes do Partido dos Trabalhadores do Distrito Federal viajarão para Porto Alegre (RS) para manifestações em solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Condenado em 1ª instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o líder petista batalha pela absolvição na 2ª instância em julgamento marcado para a próxima quarta-feira (24/01), no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, localizado na capital gaucha. Uma eventual derrota, poderá alijar a candidatura de Lula ao Planalto, pela Lei da Ficha Limpa, nas eleições deste ano.
Em Brasília, o diretório regional planeja montar vigília em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira, das 19h às 23h. Na quarta-feira, o partido fará um ato na Praça dos Aposentados, situada entre o Hotel Nacional e o Conic, durante todo o julgamento, cujo começo está previsto para a manhã. Seja qual for o resultado, a executiva nacional da legenda fará uma reunião na quinta-feira (25/01) em São Paulo para traçar a estratégia eleitoral para a campanha de Lula, absolvido ou não.
“É um ato político em defesa da Democracia. Vemos uma clara construção de uma fraude processual para tirar Lula do processo eleitoral. Lula que representa a maioria do povo de Brasília e de um Brasil de esquecidos pelas elites. As mesmas elites que aplicaram um golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). E sem perspectiva de ganhar nas urnas, continuam com o golpe. A militância vai em defesa da eleição direta e contra o arbítrio”, afirma a presidente regional do PT no DF, deputada federal Érika Kokay.
Neste último final de semana, cinco ônibus partiram do DF para POA, três com militantes do partido, um com participantes do Setorial Agrário do PT e um com grupos do Partido da Causa Operária. Segundo Kokay, os viajantes venderam camisetas e tiraram dinheiro do próprio bolso para a caravana. Nas próximas horas, outros embarcarão de avião para o Rio Grande do Sul, também pagando pela viagem com o próprio dinheiro, diz ela.
Kokay enfatiza que Lula é o candidato do PT. “A impugnação só começa quando a candidatura é efetivada na Justiça Eleitoral. E há espaço para a defesa. Lula é candidato seja qual for o resultado, seja qual for o placar, sendo unânime ou com divergências”, crava. Para a deputada, o processo contra o ex-presidente é uma anomalia jurídica, escrita com convicções, mas sem provas. “Se Lula for condenado, teremos a constatação da ausência de Justiça no Poder Judiciário. O autoritarismo vestirá a toga”, assegura a parlamentar. O ex-presidente foi condenado pelo suposto favorecimento da construtora OAS em contratos com a Petrobrás.
Efeito sobre a sucessão
O desfecho do julgamento de quarta-feira repercutirá politicamente em todo cenário nacional. No DF, o primeiro impacto será na definição do nome para a disputa do Palácio do Buriti. O PT regional avalia vários nomes, mas ainda não bateu o martelo. Extraoficialmente, o candidato ou candidata seria estabelecido conforme a condição de Lula. Nos bastidores da legenda, a tática é bem avaliada.
Dizendo-se confiante na absolvição de Lula na 2ª instância, o deputado distrital Ricardo Vale (PT) deverá embarcar hoje para Porto Alegre. Caso o ex-presidente seja absolvido, Vale projeta candidatura competitiva para a legenda, a despeito da péssima avaliação do governo passado, de Agnelo Queiroz (PT). “Hoje temos 15% de intenção nas pesquisas. Com Lula, vamos ganhar força para a eleição proporcional. Vamos para 25% e teremos condições de ir ao 2º turno”, acha.
No meio político, comenta-se que o desfecho do caso de Lula, será uma referência para outros casos de políticos condenados em 2ª instância, teoricamente impossibilitados de disputar as urnas pela Lei da Ficha Limpa. No DF, um dos casos mais notórios é do ex-governador José Roberto Arruda (PR), no caso do Mensalão do DEM no DF.
Contudo, para o deputado distrital Chico Vigilante (PT), os casos são distintos e devem ser analisados distintamente. “A Lei de Ficha Limpa foi trabalhada pelo PT e sancionada pelo PT. Nada tem a ver com um julgamento sem provas”, declara. Segundo Érika Kokay, a comparação dos dois casos é uma “ofensa histórica”.
Saiba mais
Lula foi condenado a nove anos e seis meses de reclusão em 1ª instância. Segundo os advogados do ex-presidente, em toda peça não houve provas concretas contra Lula.
Kokay critica as reformas e privatizações encapadas pelo atual Governo Federal. Segundo a parlamentar, o Planalto quer vender a Eletrobras por uma soma entre R$ 12 bilhões e R$ 18 bilhões, quando a empresa teria como ativos R$ 400 bilhões e passivos, a receber, da ordem de R$ 30 bilhões.