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Política & Poder

Patrício avisa que quer ser o corregedor

Arquivo Geral

21/02/2013 10h10

Camila Costa

camila.costa@jornaldebrasília.com.br

 

 

Depois de comunicar à bancada PT-PRB que gostaria de ser o corregedor ad hoc (interino) para investigar o caso do deputado Raad Massouh (PPL), acusado de manipular emenda orçamentária, o petista Patrício criou uma saia-justa no Plenário na tarde de ontem. Presidente da Câmara no biênio passado, Patrício está hoje sem uma função que lhe garanta visibilidade. 

 

O presidente  Wasny de Roure (PT) convocou a eleição, mas foi barrado pelo próprio bloco PT-PRB, além do chamado blocão PMDB-PTC-PPL-PTdoB e do bloco de oposição, o PSD. Os distritais querem a eleição de um corregedor definitivo, já que o cargo está entre as negociações das comissões.

 

Com a autoridade de ex-presidente da Câmara, Patrício falou sobre a vontade de investigar Raad Massouh na última terça-feira, durante reunião com os colegas de bancada. Ontem, foi até o plenário para anunciar o pleito. A primeira a dizer que a questão precisaria de “mais conversa” foi a deputada Arlete Sampaio (PT), líder do Governo. Disse até que Patrício não estava no plenário e precisaria reafirmar o pleito.

 

Interrupções em série

Wasny  não atendeu ao pedido da colega e explicou que Patrício, mesmo fora do plenário, já tinha manifestado o interesse e iria prosseguir com a eleição. Mais uma vez, foi interrompido pelo líder do blocão, Olair Francisco (PTdoB). 

 

O distrital afirmou que não havia acordo dentro do bloco para a eleição de Patrício. “Temos que amadurecer esta questão”, justificou Olair. Nem a volta de Patrício para o Plenário resolveu o impasse. Arlete voltou atrás e concordou com a eleição, mas Olair manteve a oposição, apoiado pela líder do PSD, Celina Leão.

 

Patrício criticou a lentidão do processo e disse que o caso já deveria estar em andamento e, por nenhum deputado querer o cargo, estava se colocando à disposição. “Tenho condições de ser não só corregedor ad hoc, como o corregedor definitivo. Inclusive por isso meu nome foi indicado para a Comissão de Ética”, explicou.

 

Apesar de tudo, cargo ainda desperta cobiça

Os deputados afirmam que a Corregedoria, apesar de não ser cobiçada pelos parlamentares pelo incômodo dever de investigar colegas, torna-se importante quando o espaço político é pequeno. “A briga está grande e o que temos é pouco, quando dividido entre os deputados. Os cargos atribuídos à  Corregedoria estão em jogo”, explicou um distrital. A vaga se tornou ainda mais vantajosa depois de cogitada a possibilidade de acumular uma presidência de comissão.

 

O cargo de corregedor está vago desde o dia 31 agosto de 2012, quando Siqueira Campos (PSC) deixou a Câmara. Siqueira era suplente do deputado Wellington Luiz (PPL), que retornou à Casa depois de ficar nove meses na Secretaria de Condomínios, e foi eleito corregedor ao assumir a cadeira.

 

Desvio de emendas

A representação contra Raad foi publicada em dezembro, após Ministério Público do DF deflagrar a Operação Mangona, que cumpriu mandados de busca e apreensão no gabinete e na casa do parlamentar, para reunir provas de supostos desvios de recursos de emendas parlamentares para eventos, em 2010.

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