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Política & Poder

Partidos aliados a Nunes aceitam indicado de Bolsonaro para a vice

Na sexta-feira passada, 14, em nova demonstração de força de Bolsonaro, Nunes teve almoço com o ex-presidente, Tarcísio e o coronel no Edifício Matarazzo

Redação Jornal de Brasília

19/06/2024 23h27

Foto: Divulgação/ Governo de SP

São Paulo, 19 – Depois de engatilhar o nome do coronel da reserva da Polícia Militar Ricardo de Mello Araújo (PL) como vice de Ricardo Nunes (MDB), a pré-campanha do prefeito de São Paulo recebeu o endosso dos principais partidos que formam a coligação. A escolha do coronel seria selada em um jantar, na noite desta quarta-feira, 19, organizado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O Estadão apurou que o militar sugerido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para compor a chapa de Nunes não encontra resistência no comando de siglas como PSD, Republicanos, PP, Podemos, PRD e Avante nem no núcleo duro do prefeito, que busca em outubro novo mandato.

Ex-comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e ex-diretor da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o coronel é bolsonarista e costuma reproduzir o discurso do ex-presidente nas redes sociais, como ataques ao Judiciário e defesa da pauta conservadora de costumes.

A indicação do ex-chefe da Rota encontrava resistência entre caciques partidários de legendas mais ao centro, mas ganhou força com a “dobradinha” recente feita entre Bolsonaro e Tarcísio – os dois principais aliados do prefeito na disputa de outubro.

A costura pela indicação do nome do coronel passou a ser encarada pelo entorno de Nunes como inevitável depois da entrada do coach Pablo Marçal (PRTB) na disputa. Marçal se aproximou de deputados do PL e do próprio Bolsonaro.

Ex-presidente

Na sexta-feira passada, 14, em nova demonstração de força de Bolsonaro, Nunes teve almoço com o ex-presidente, Tarcísio e o coronel no Edifício Matarazzo. Na ocasião, o prefeito evitou chamar Mello Araújo de favorito para a vice, mas disse que o escolhido de Bolsonaro tinha “argumentos fortes”.

Publicamente, o tempo de propaganda gratuita em rádio e TV fornecido pelo PL tem sido apontado como o motivo da preferência Nos bastidores, aliados também citam a necessidade de “amarrar” Bolsonaro na campanha, evitando a dispersão dos votos do eleitorado no campo da direita.

PP

Um dos focos de resistência era o PP. Integrantes da sigla criticaram publicamente a escolha do coronel. Contudo, na última segunda-feira, o presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PI), se encontrou com Nunes e afirmou que, se a indicação fosse oficializada, a legenda acataria e caminharia com Nunes em qualquer hipótese.

“É muito importante que o governador Tarcísio e o presidente Bolsonaro façam essa indicação (…) Se ela vier a acontecer, vai contar com nosso apoio e nosso entusiasmo”, afirmou o senador sobre o nome de Mello Araújo.

O União Brasil, por sua vez, mantém a pré-candidatura do deputado Kim Kataguiri, mas pode retirá-la em julho. O presidente da Câmara Municipal, vereador Milton Leite (União Brasil), sempre defendeu o acerto com Nunes, mas reivindicava a vaga de vice. “A análise básica do União é a seguinte: o Ricardo é muito ligado à Igreja Católica. Nós precisamos de um evangélico, bem caracterizado. O coronel não preenche esse requisito”, disse Leite ao Estadão. Para ele, Mello Araújo “não tem voto”.

‘Viajando’

Ontem, Tarcísio minimizou as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre sua relação com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Depois de dizer que não queria falar a respeito do tema, o governador se limitou a responder que o petista pode citá-lo “à vontade”, mas que ele está “viajando” ao imaginá-lo já como um adversário na eleição presidencial de 2026. (COLABOROU MATHEUS DE SOUZA)

Estadão Conteúdo

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