Menu
Política & Poder

Paralisia sucessória no Legislativo: nada foi votado

Arquivo Geral

22/02/2013 9h07

Rudolfo Lago

redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

Integrante de um partido pequeno, que ainda não se posicionou sobre quem apoiará para presidente em 2014, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) espantou-se com a antecipação da disputa eleitoral. 

 

Faltando mais de um ano e meio para o primeiro turno da eleição presidencial, já há quatro candidatos nas ruas, e a presidente Dilma Rousseff já teve a sua candidatura à reeleição lançada por seu antecessor e mentor, o ex-presidente Lula. 

 

Enquanto isso, o Congresso encontra-se desde o final do ano passado com a pauta inteiramente paralisada, incapaz de votar vários projetos polêmicos que estão na fila de espera. Apesar de socialista, Randolfe recorreu à Bíblia para ilustrar o seu espanto.

 

Como já dizia o Eclesiastes, em seu capítulo 22, versículo um: “Tudo tem seu tempo debaixo do Reino dos Céus”, comentou Randolfe. “Não faltam na pauta do Congresso temas complicados, que pedem negociação e entendimento entre as várias forças políticas. No lugar de se fazer isso, antecipa-se em bem mais de um ano o jogo eleitoral, numa situação que só faz aumentar a confusão e gerar mais desconfiança”, critica. 

 

Hipérbole da arrogância

Um pouco antes de Randolfe manifestar a sua preocupação, o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), ocupava a tribuna para mais uma etapa do debate eleitoral. Aloysio rebateu Dilma, que  no evento em São Paulo que comemorou os dez anos do PT no poder disse que o partido “não herdou nada, teve de construir tudo”. 

 

Aloysio reagiu: “É uma hipérbole de arrogância. Quando chegarmos ao poder, saberemos valorizar aquilo de bom que fez o PT, como os programas de transferência de renda”.

 

Até o PT já se preocupa
A preocupação com a antecipação do mandato chegou ao próprio PT. “É claro que isso atrapalha”, admite o líder do partido no Senado, Wellington Dias (PT).  Dono de uma postura mais independente, o senador Paulo Paim (PT-RS) avisa que, “se isso já está assim agora em fevereiro, imagine-se qual será o cenário lá para agosto ou setembro. Dizem que no Brasil tudo começa depois do carnaval; o carnaval já passou, e nada”.
 
A preocupação de Randolfe com a antecipação da disputa eleitoral pelos movimentos desses quatro candidatos não é isolada. Permeia parlamentares de vários partidos, especialmente os que não estão filiados às duas principais forças na contenda, o PT e o PSDB. “Isso tudo é surpreendente e preocupante”, considera a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS).  
 
O líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF) vai na mesma linha. “Ninguém tem estimulado mais que se fale em candidatura do governador Eduardo Campos do que o PT”, constata.
 
Saiba mais
No mesmo dia, na quarta-feira, tucanos e petistas botaram seus blocos presidenciais na rua. O senador Aécio Neves, do PSDB, foi à tribuna do Senado para elencar os “13 fracassos do PT”, em claro discurso de candidato. 
 
À noite, Lula lançou com todas as letras Dilma como candidata à reeleição. 
 
E não são apenas o PT e o PSDB. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB,  movimenta-se como candidato à Presidência desde o início do ano. 
 
A ex-senadora Marina Silva lançou no último sábado a criação de seu novo partido, a Rede Sustentabilidade, com o propósito de disputar também a sucessão de Dilma em 2014. Em 2012, ela foi candidata à Presidência pelo PV e teve 20 milhões de votos. 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado