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Política & Poder

ONU pede clareza sobre Código Florestal brasileiro

Arquivo Geral

03/06/2011 22h42

O Brasil deve passar uma “mensagem clara” ao mundo sobre a política ambiental contemplada em seu novo Código Florestal, que entre outras medidas prevê a anistia aos desmatadores, afirmou nesta sexta-feira em São Paulo a diretora do Fórum das Nações Unidas para Florestas, Jan McAlpine.

“Para a ONU, não é apropriado se intrometer nas leis de cada país, mas os cidadãos do mundo precisam de uma mensagem muito clara sobre as políticas ambientais do Brasil, um país que sabemos que trabalha pela defesa de sua biodiversidade”, afirmou Jan em entrevista coletiva.

A ONU promove em 2011 o Ano Internacional das Florestas com ênfase na relação entre o ser humano e essa riqueza natural.

“Nos últimos 20 anos, não se discutiu muito a relação entre florestas e indivíduos. A discussão neste tempo se centrou mais nos problemas ambientais, mas não podemos esquecer que 300 milhões de pessoas vivem nas matas e 1,6 bilhão dependem delas para seu sustento”, declarou Jan.

O lançamento do Ano Internacional das Florestas coincide no Brasil com a polêmica provocada pelo Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados, inclusive o trecho que propõe a anistia aos desmatadores, medida que a presidente Dilma Rousseff já anunciou que vetará caso o projeto seja aprovado também pelo Senado.

Este projeto propõe reduzir as florestas e as áreas protegidas em função da extensão de terras cultiváveis, razão pela qual foi combatido por ambientalistas, cientistas e pelos dez ministros do Meio Ambiente que o país teve.

A proposta, defendida pela poderosa indústria agropecuária, inclui, entre outros pontos polêmicos, que as reservas florestais em propriedades privadas na Amazônia (atualmente em 80%) sejam reduzidas para 50% do território.

Jan acredita que “não é fácil entender o equilíbrio” de uma lei e acrescentou que “a solução não é não usar as matas, mas sim atuar de forma sustentável”.

Por sua vez, Paulo Nogueira Neto, ex-ministro do Meio Ambiente e representante do Conselho Nacional do Meio Ambiente, disse que a aprovação do Código Florestal na Câmara “foi uma derrota de caráter político para os ambientalistas”.

“No Senado, a batalha será outra, pois vamos recuperar a importância da lei do meio ambiente. Temos um relator ambientalista do projeto, como é o senador e ex-governador do Acre Jorge Viana, que vai lutar por uma lei equilibrada”, apontou o professor.

Nogueira Neto falou também sobre a recente onda de assassinatos de líderes camponeses e ambientalistas na Amazônia, que na última semana deixou um saldo de cinco mortos.

“A opinião pública estava desinformada, pois mais de 1,4 mil ativistas são ameaçados há anos. O Governo decidiu mandar o Exército para proteger. É alguma coisa, mas ainda insuficiente”, ressaltou.

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