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Política & Poder

Oito em cada dez chamadas recebidas pela Ouvidoria do GDF foram reclamações

Arquivo Geral

22/01/2012 9h37

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

Pergunta: Quais são as principais broncas e reclamações do cidadão brasiliense sobre o Governo do Distrito Federal? Resposta: Elas são sobre transporte coletivo, saúde pública e os servidores da saúde. Estes três tipos de protesto falaram mais alto entre as 47.131 reclamações recebidas pela Ouvidoria do GDF em 2011.

De olho nos ponteiros do relógio, trata-se de uma média de cinco protestos por hora. Na comparação com o total de ligações do cidadão  para o Poder Público do DF, as reclamações também chamam a atenção. De 1º de janeiro até 31 de dezembro de 2011, a Ouvidoria recebeu 52.618 ligações. E a cada dez chamadas, pelo menos oito foram queixas.

 

No detalhe das reclamações por secretaria, o brasiliense disparou mais palavras de descontentamento em direção as pastas da Saúde, Educação e Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest). O levantamento da Ouvidoria registrou 14.185 reclamações para a Secretaria de Saúde. Educação recebeu 3.978 queixas e a Sedest 2.059.

Entre as autarquias o mapeamento da Ouvidoria destacou como principais alvos das criticas populares o Transporte Urbano do DF (DFTrans), com 14.260 queixas. O Departamento de Trânsito (Detran) ocupa o segundo posto de ranking negativo com 2.095 protesto, sendo seguido pela Agência de Fiscalização (Agefis) que teve 1.736 casos.

Para o secretário de Transparência, Carlos Higino, o mapa das reclamações é uma ferramenta importante para a melhoria do serviço público, pois faz a medição dos pontos de tensão e desconforto da população. “O governo que se propõe transparente tem que estar preparado para ouvir”, resumiu. Sem titubear,  Higino considera que  a qualidade dos serviços ainda está distante do “ponto ideal” no DF.

Longe das salas governistas, o cientista político Antônio Flávio Testa tem outra leitura dos números. “Eles refletem a péssima qualidade dos serviços públicos do GDF”, sapecou. Para ele, as ouvidorias em geral são importantes mecanismos de gestão pública, mas que na prática são subutilizados. Pois, conforme o raciocínio de Testa, os números param em si e não se transformam, efetivamente, em mudanças.  Segundo Testa, a crítica tem respaldo na histórico das queixas. “Sempre ouvimos falar de mais reclamações em que áreas? Saúde, Transporte e Detran. Os mesmos de agora”, pontua.

“O governo deveria ter um sistema para medir a eficiência individual dos servidores, uma avaliação dos recursos colocados em cada área e  uma pesquisa de qualidade com o cidadão”, observa Testa. Por exemplo, não basta construir uma parada de ônibus. É preciso saber  quanto se gastou e, principalmente, se a população ficou realmente satisfeita com o novo ponto.

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