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Política & Poder

O desafio de mudar a história do Brasil

Arquivo Geral

26/06/2013 9h10

O cenário foi a Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro. O dia, 26 de junho de 1968. Nas ruas, mais de 80 mil protestavam contra a ditadura militar. Eram jovens motivados pela possibilidade de mudar a história. 

 

Não estavam sozinhos. Com eles, artistas e intelectuais levantaram a bandeira “Abaixo a Ditadura. O Povo no Poder”. E a marcha, conhecida como Passeata dos 100 mil, começou, de fato, a mudar os rumos políticos do País. 

 

A utopia renasce

Agora, 45 anos depois, novamente os brasileiros vão às ruas. No último grande ato, dia 20 de junho, foram mais de 1,2 milhão de pessoas espalhadas em todos os estados entre bandeiras, cartazes e faixas. A sensibilização é tanta que muitos, agora, se questionam: afinal de contas, restou alguma utopia? 

 

De acordo com o dicionário, a palavra “utopia” significa o que se imagina como um modelo perfeito, ideal, de sociedade. No Distrito Federal, o último dia 20 ficou marcado pelas novas caras que lutam por um Brasil mais justo e menos corrupto. Foram mais de 40 mil jovens espalhados nas ruas da capital.

 

 À parte os atos de vandalismo, o Congresso foi tomado por pedidos de investimentos em educação, saúde e transporte público de qualidade. No Rio, em 68, contudo, as palavras de ordem pediam  liberdade,  justiça às famílias dos “subversivos” mortos pela Polícia da época e anulação da privatização do ensino prevista pelo governo militar.

 

Lado bonito

“Acredito que esse é o lado bonito dessas manifestações. Esses jovens mostravam e os de agora mostram que querem um país mais justo, mais digno, mais democrático e sem corrupção. Essas são bandeiras que não se apagam”, disse o professor José Matias-Pereira, especialista em Administração Pública da UnB e ex-líder estudantil. Para ele, as diferenças básicas entre os protestos é que “naquele tempo não tínhamos celular e redes sociais, e as balas eram de verdade, não eram de borracha”. 

 

Liberdade de questionar

Após as manifestações que se espalharam pelo País, a atual presidente, Dilma Rousseff, fez um pronunciamento à nação. “Os manifestantes têm o direito e a liberdade de questionar e criticar tudo, de propor e exigir mudanças, de lutar por mais qualidade de vida, de defender com paixão suas ideias e propostas, mas precisam fazer isso de forma pacífica e ordeira”, ressaltou. 

 

Mais uma vez, em menos de 15 dias, novas discussões começaram a surgir pela cidade. Como mudar o País sem chamar atenção? Para muitos, os atos de vandalismo vão além da depredação. “Vandalismo é, também, desviar dinheiro público, que poderia ser investido em saúde, educação e transporte, claro. Mas, violência só abre portas para mais violência. Uma coisa não justifica a outra”, apontou Matias-Pereira.  

  

Na Passeata dos 100 mil, porém, o único ato que pode ser chamado de vandalismo foi o fogo ateado na bandeira dos Estados Unidos, em frente à Candelária, onde também o ex-deputado Vladimir Palmeira, líder da manifestação, discursou aos estudantes. 

 

Hoje, o ex-presidente da UME (União Metropolitana dos Estudantes), também participa dos protestos, junto ao filho Rodrigo, de 14 anos. Um vídeo, divulgado na internet, traz o articulador de protestos contra a Ditadura dizendo: “O pessoal está se expressando e isso é uma grande coisa. Por quê? Porque daqui pra frente o Brasil será marcado por isso”.  No meio da ação, ele também adverte: “O movimento tem que ter uma linha.”

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