Uma base grande nem sempre significa solidez na política, especialmente quando se fala de Câmara Legislativa. Teoricamente com apoio de 19 parlamentares, o governo deveria ter facilidade para aprovar projetos de seu interesse, mas as constantes faltas de quórum têm prejudicado e atrasado projetos do Buriti.
A baixa adesão dos parlamentares preocupa líderes do partido, como o distrital Chico Vigilante (PT). “As coisas não estão boas. Precisamos saber quem são realmente os parlamentares da base para aprovar os projetos, que não são apenas de interesse do governo, mas da sociedade”, constata Vigilante.
Contornar o impasse
O distrital afirma não saber quais são os motivos que têm esvaziado as sessões, mas acredita que representantes das partes devem se reunir para dialogar sobre a melhor forma de contornar o impasse. “Eu não sei que questões são essas, mas os deputados têm que sentar e colocar os problemas sobre a mesa, pois cada um tem um para tratar”, diz Chico Vigilante.
Além do sumiço durante as votações de projetos do Buriti, Vigilante analisa que a falta de parlamentares nas votação afeta até as matérias dos próprios distritais. “Eu vejo que o desinteresse tem sido geral e não só com matérias do governo”, afirma o parlamentar, que completa: “Durante as sessões, toda hora tem que ficar pedindo que os deputados desçam dos gabinetes para votar. Cada um precisa ter sua responsabilidade”, reclamou. O problema se estende ainda para as comissões. Há muitos projetos emperrados.
Que cumpram os prazos
Na sessão de ontem, o presidente da Casa, Wasny de Roure (PT), tornou pública sua preocupação com a demora nos trâmites. “Presidentes de comissões, gostaria de pedir que cumpram os prazos para a analise dos projetos, pois quando a Casa está cheia, rapidamente esses projetos são analisados, inclusive em Plenário”, alertou o presidente, que teve problemas durante a sessão de ontem, quando um projeto quase foi a votação sem ter passado por todas as comissões.
O que está por trás
1 Todo mundo sabe os motivos dos sumiços de distritais. Eles traduzem o descontentamento com reivindicações não atendidas pelo governo. Os deputados dão o troco quando sabem que há questões importantes para o Buriti em jogo.
2 Nesse caso costumam formar coligações suprapartidárias e informais, às vezes com direito até a confraternizações públicas.
3 O governo costuma dizer que cumpre acordos, mas que, nesses momentos, os distritais radicalizam nas cobranças.
Operando no limite
Nem a presença dos representantes dos servidores das carreiras de cantineiros e de fiscalização urbanas foram suficientes para que o Plenário da Câmara Legislativa ficasse cheio, na sessão ontem.
Em boa parte da sessão os projetos foram aprovados com o quórum mínimo de 13 deputados, chegando a marca máxima de 14.
Durante uma das votações, o distrital Chico Vigilante precisou chamar a atenção da Mesa para a falta de um parlamentar, o que resultaria na ilegalidade da aprovação da matéria. É que só havia 13 distritais em plenário e um deles fora ao banheiro.
Para Chico, os parlamentares, da base deveriam aparecer no Plenário para debater os projetos, ainda que de forma contrária a orientação do governo. “Não tem problema vir aqui e dizer que é contrário ao projeto. A omissão é a pior coisa que existe”, lamentou Vigilante.
A líder do governo na Casa, Arlete Sampaio (PT), alertou ontem seus companheiros que os prazos estão se esgotando, com o final do ano legislativo. Pediu que evitem deixar tudo para o último dia de trabalhos, como é comum nos parlamentos.
Arlete reclamou ainda que algumas matérias têm sido adiadas na própria reunião de líderes. “O fim do ano está ai e vamos acabar deixando de votar”, advertiu.