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Política & Poder

Mesmo com guinada ao centro, petistas ainda serão mais influentes

Em recente conversa com sindicalistas, Lula afirmou que, para ter governabilidade, precisa dialogar até com a extrema-direita

Redação Jornal de Brasília

02/01/2023 12h17

Foto: Reprodução

Vinte anos após subir pela primera vez a rampa do Panalto, em 2003, Luiz Inácio Lula da Silva assume neste domingo, 1º, o terceiro mandato à frente do governo com desafios que vão além da economia. Do “Lulinha paz e amor” à “jararaca”, o presidente que chega agora ao poder diz ter passado por um “processo de ressurreição” e, munido de um discurso conciliador, chamou políticos de centro para compor o Ministério. Os nomes mais influentes da equipe, porém, ainda são do PT.

Em recente conversa com sindicalistas, Lula afirmou que, para ter governabilidade, precisa dialogar até com a extrema-direita. “Eu aprendi muito com o impeachment da Dilma”, argumentou ele, numa referência à presidente Dilma Rousseff, que teve o mandato cassado pelo Congresso, em 2016. “Fora da política não há solução. Quem não conversa, não governa”, emendou.

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Se a articulação do novo governo com o Congresso está sob os cuidados de Padilha, que foi da Juventude do PT, a economia terá à frente aquele que é conhecido como “o mais tucano entre os petistas”: Fernando Haddad.

Lula se aproximou ainda mais de Haddad no período em que esteve preso, de abril de 2018 a novembro de 2019, acusado na Lava Jato pelo então juiz Sérgio Moro, que depois se tornou ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro. Haddad foi o principal padrinho da união entre Lula e Geraldo Alckmin, no ano passado. À época, Alckmin era do PSDB e adversário do PT. Em dezembro de 2017, o então governador de São Paulo chegou a dizer que “depois de ter quebrado o Brasil”, o petista queria “voltar à cena do crime”.

Guinada

Com um giro de 180 graus na oratória, o ex-tucano fez para Lula, nessa campanha, o papel da Carta ao Povo Brasileiro de 2002, que acalmou o mercado financeiro. Mesmo assim, embora tenha se filiado ao PSB, Alckmin enfrenta a resistência de integrantes da cúpula do PT, que o veem como possível candidato à sucessão do presidente, em 2026. Para Lula, porém, o vice merece todos os elogios. “Vai ser um mascate”, resumiu ele, ao revelar que Alckmin acumularia a função de vice com a de ministro da Indústria e Comércio.

Dias antes de anunciar que Haddad seria ministro da Fazenda e Simone Tebet (MDB) chefiaria o Ministério do Planejamento, Lula foi questionado por sindicalistas sobre a possível indicação de um liberal para o governo. O presidente da CUT, Sérgio Nobre, cobrou um perfil “progressista e desenvolvimentista”, e não ortodoxo, para a equipe econômica. “Não se preocupe. O progressista no governo sou eu”, respondeu Lula.

Na prática, o governo começa com alguns potenciais candidatos à cadeira de Lula: Haddad, Alckmin e Tebet. Não por acaso o PT fez pressão para que ela não ficasse com o Ministério do Desenvolvimento Social, entregue a Wellington Dias (PT), ex-governador do Piauí. A pasta administra o Bolsa Família, vitrine social do partido, e Dias também está na lista dos presidenciáveis de 2026.

Após ser eleito, em outubro, Lula disse a correligionários que, pela primeira vez, o PT enfrentaria oposição nas ruas, no início do governo. Diante dessa constatação, ele escalou o deputado Márcio Macêdo (SE) para a Secretaria-Geral da Presidência. Vice-presidente do PT e tesoureiro da campanha, Macêdo tem trânsito nos movimentos sociais e terá a missão de ampliar o diálogo com esse segmento. Da velha guarda do PT, o ex-ministro Gilberto Carvalho, por sua vez, ficou encarregado de manter conversas com os religiosos.

“O PT precisa compreender a teoria da prosperidade, que mobiliza quase 40% da população”, insistiu o líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (MG), ao apontar desafios do partido no governo Lula 3. “Para ter diálogo moderno com os evangélicos, é necessário fazer das redes e das ruas um espaço permanente de disputa de narrativas”, completou. Nos bastidores, dirigentes do PT admitem que o partido também vai disputar os rumos do governo Lula 3 com os novos aliados.

Estadão Conteúdo

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