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Política & Poder

Maria de Lourdes Abadia toma posse na secretária de Projetos Estratégicos

Arquivo Geral

02/11/2017 7h00

Foto: Breno Esaki

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

A supersecretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho e a pasta de Justiça são exemplos de poleiros vagos ou na iminência de vacância para a acomodação de mais tucanos no governo Rollemberg (PSB). Na aterrissagem, com ares de comício eleitoral, da ex-governadora e filiada número 1 do PSDB, Maria de Lourdes Abadia, na recém-nascida secretaria de Projetos Estratégicos, o governador falou em alto e bom som: “Quero ampliar a participação do PSDB no nosso governo”.

Na cerimônia, outros tucanos assumiram espaços no GDF. O secretário adjunto de Abadia será Sebastião Melchior Pinheiro, enquanto Virgilio Monteiro Neto assumiu como subsecretário de Integração de Ações Sociais, responsável pela Fábrica Social. o evento teve participação do deputado federal Caio Narcio (PSDB/MG), integrante da bancada do PSDB no Congresso Nacional e personagem ao próximo do governador tucano de São Paulo, Geraldo Alkmin.

Rollemberg investe na aliança nacional entre PSDB e PSB, conduzido por Alckim para as eleições 2018. Nas atuais condições políticas, espaços não faltarão espaços para mais tucanos. O PSD, representado pelo vice-governador Renato Santana, não apareceu na posse. Presidida pelo deputado federal Rogério Rosso, a legenda estuda o desembarque do governo. Um dos espaços ocupados pela sigla atualmente e a secretaria de Justiça.

A Rede também torceu o nariz. Segundo o porta-voz regional Pedro Ivo, o governador errou ao criar uma secretaria para selar o pacto tucano, protagonizando um episódio claro de velha política e de “toma lá da cá” de cargos em busca de apoio. O partido pretende decidir o seu destino neste mês. Caso rompa, deixará em aberto o futuro da pasta do Meio Ambiente.

Rollemberg buscou rebater as críticas desferidas sobre a aliança com Abadia, alegando que se ex-governadora tivesse interesse em cargos, teria escolhido uma pasta maior, contudo optou por trabalhar com a população carente. “Isso é nova política. Nova política é quando as pessoas deixam o seu conforto pessoal para poder servir à população e para servir àqueles que mais precisam”, afirmou.

Na análise de Rollemberg, não há relação entre a vinda de Abadia e o afastamento da Rede e do PSD. Quanto aos espaços abertos para a nova pasta, o governador argumentou que o GDF apenas desbloqueou “pouquíssimos” cargos. O governador não mencionou onde o PSDB poderia se aprofundar no governo.

Saiba Mais

  • Sem ter orçamento próprio, a nova pasta terá o objetivo de melhorar as relações e projetos do governo em áreas carentes como o Buritizinho, Porto Rico e a desativação do Lixão da Estrutural.
  • Em outro momento da posse, Virgilio Neto declarou estar impressionado com a Fábrica Social e prometeu triplicar o atendimento do programa.
  • O vice-governador de São Paulo é Márcio França, filiado do PSB. Caso Alckmin tente o Planalto, provavelmente buscará emplacar França como sucessor para manter o controle sobre o estado.
    Em certo momento do discurso, Maria Abadia mencionou o ex-governador Joaquim Roriz, recebendo aplausos de grande parte da platéia.

Rollemberg perdeu o PDT, está prestes a perder PSD, Rede e o PV. A chegada dos tucanos marca o início de uma nova composição da base. Para ter tempo de televisão e rádio competitivos, o governador precisará de novos aliados. E para os planos e perfil de Rollemberg, as novas composições deverão ter perfil parecido com o de um tucano.

Ideia de vice ressurge na nova posse

Fogos de artifício, palmas, gritos de guerra e até mesmo a presença do ex-governador Wilson Lima deram o tom da posse de Abadia. Longe das paredes do Palácio do Buriti, a nova secretaria não encontrou a mesma receptividade no presidente regional do PSDB, deputado federal Izalci Lucas. Pré-candidato ao GDF para 2018, o tucano torceu o bico para o movimento de Abadia. Embalada pelos aliados, Abadia partiu para o contra-ataque.

“Tem gente que quer me expulsar. Não conhecem a minha história. Eu estou tombada neste partido . E tenho a honra de ter o número 1 nas inscrições de filiação do meu partido. Meus amigos, eu sou uma tucana de bico grande. Eu sou uma tucana de plumagem viçosa. Eu sou partidária. E sempre fiz parte da direção nacional do meu partido. Nunca envergonhei os meus eleitores”, cravou a Tucana.

Abadia considera que há chances reais de mais tucanos embarcarem no GDF até as eleições. Quanto a ser uma potencial vice de Rollemberg em 2018, Abadia disse: “O futuro a Deus pertence. Minha preocupação é esse trabalho de interlocução de coordenação de projetos estratégicos e dessa aproximação com as comunidades carentes”.

Abadia criticou Izalci por não realizar as convenções para a definição do novo diretório regional e impor o próprio nome como pré-candidato ao GDF sem debate.

Ponto de vista

O presidente regional do PSDB no DF, deputado Izalci Lucas, não poupa críticas ao movimento de Rollemberg e Abadia. “O Rodrigo está errando feio. Ele pensa que vai minar minha candidatura ao Buriti. Está errado. O PSDB será oposição”, desabafou. O parlamentar é umas vozes públicas que considera absurda a criação de uma secretaria nova para a acomodação da ex-governadora. Segundo Izalci, os filiados que escolherem entrar no governo poderão estar sujeitos ao conselho de ética da sigla, conforme a aproximação das eleições. “O PSDB tem um estatuto e ele deve ser obedecido”, comentou o parlamentar. Para o deputado, o PSB nacional está vivendo uma diáspora, na qual os nomes ligados ao campo conservador e ao mercado estão abandonando a sigla. “Só estão ficando os aliados do PT. Essa aliança com PSDB não vinga”, projeto Lucas.

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