Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com
O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) caminha para o final do mandato com apenas cinco membros do primeiro escalão original do governo. Na foto da posse, em janeiro de 2015, estava acompanhado por 27 personagens indicados para gerenciar secretarias, a chefia de gabinete da Governadoria, a Controladoria-Geral e a Procuradoria-Geral do Distrito Federal. Ou seja, a dança das cadeiras mudou 81,5% do conjunto inicial de gestores responsáveis pela condução dos serviços públicos.
Entre fusões, extinções e lançamentos de novas secretarias, bem como exonerações e cartas de renúncias, foram feitos 60 movimentos de troca de gestão nos postos estratégicos para a operação do governo. Enquanto Rollemberg disputa a reeleição, continuam nos postos originais o secretário de Gestão do Território e Habitação, Thiago de Andrade; de Educação, Júlio Gregório; de Cultura, Guilherme Reis; de Turismo, Jaime Recena; e procuradora-geral do DF, Paola Aires.
A alta rotatividade de gestores começou antes da posse em 2015. Ivan Castelli havia sido anunciado para a Secretaria de Saúde, mas não entrou no governo. João Batista de Sousa foi chamado. Sem conseguir superar a crise na rede pública, pediu exoneração. O governador, então, nomeou Fábio Gondim. Após sete meses, acabou dispensado. Humberto Fonseca assumiu a pasta. Continua até hoje. Por outro lado, Fábio Gondim, atualmente, é um dos críticos mais engajados do governo.
Um polêmico conflito entra a Polícia Militar e professores, em outubro de 2015, levou o secretário de Segurança, Arthur Trindade, a entregar uma carta de renúncia. Não havia entendimento entre as Forças e o gestor. Márcia Alencar tomou posse. Mas o problema da falta de alinhamento persistiu. O governo, então, a remanejou para outra área. Com a indicação do ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame, Edval de Oliveira Nunes foi conduzido ao comando. No início de 2018, pediu exoneração. Desde então, Cristiano Barbosa Sampaio está no comando.
O Palácio do Buriti não apoiou a criação de um memorial para o ex-presidente João Goulart. Por isso, o secretário de Trabalho, Georges Michel, presidente do PDT, deixou a pasta. O correligionário Thiago Jarjour foi empossado. A relação continuou ruim. O governador então fundiu três secretárias para criar a superpasta de Trabalho, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. O espaço foi dado ao deputado distrital Joe Valle (PDT).
Valle e Rollemberg não se entenderam. O distrital retomou o mandato sendo eleito presidente da Câmara Legislativa. A superpasta continuou nas mãos do PDT, com Antônio Gutemberg Gomes de Souza. Mas o partido desembarcou do governo no fim de 2017. Marlene de Fátima Azevedo Silva foi então nomeada. De olho nas eleições, o Executivo decidiu buscar uma aliança com o PSDB. E, neste movimento, a pasta foi colocada na mesa da indicada Ludmila de Faro.
A descoberta de uma gravação, em que a tucana criticava o GDF, motivou a própria a pedir exoneração antes da posse. Marlene, então, retornou ao cargo. Mas uma ala do PSDB, interessada na aproximação, indicou a atual secretária Ilda Ribeiro Peliz. Além disso, o GDF criou a Secretaria de Projetos Estratégicos para acomodar Maria de Lourdes Abadia. No fim das contas, apesar do loteamento de cargos, a aliança com o PSDB não vingou.
Outra dança das cadeiras passou pela Secretaria de Justiça. A pasta teve cinco gestores, sendo que um deles a assumiu em dois momentos distintos.
Especialistas divergem sobre o tema
O troca-troca administrativo divide opiniões de quem entende da máquina pública. De um lado, o especialista em Gestão e Recursos Humanos da Universidade de Brasília (UnB), Jorge Pinho, julga a instabilidade nociva à boa prestação dos serviços públicos. Por outro, segundo o professor de Administração Pública, Rui Magalhães, mudanças são naturais. O que deve ser avaliado é se as subtituições geraram uma melhora no atendimento à população.
“A coisa é pior do que você pensa. Peter Drucker, um dos gurus mais respeitados da Administração, diz: em uma empresa, 10% das pessoas estão em cargos de chefia e respondem por mais de 90% dos resultados. Assim, os 90%, referentes aos trabalhadores, geram apenas 10% da produtividade”, alerta Jorge Pinho. Para o especialista, o problema é agravado pelo loteamento político.
“O novo indicado político quer levar todo os seus seguidores. E aí o órgão perde a memória”, lamentou. Na avaliação de Pinho, o abuso da dança das cadeiras gera problemas mais graves nos serviços públicos mais essenciais.
A mesma opinião não é compartilhada por Rui Magalhães. Segundo o docente, com 25 anos de experiência, o governo pode fazer as acomodações políticas necessárias, desde que esteja atento em manter a continuidade administrativa dos projetos.
“Todavia, nos quadros administrativos, a alta rotatividade não pode acontecer. As políticas públicas também não podem ser mudadas a cada mês ou a cada semestre”, argumentou. Respeitados estes princípios, junto com a razoabilidade, Rui Magalhães considera que um número alto de trocas é natural e pode melhorar a qualidade dos serviços para a população.