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Lula tem encontro com Sarney após Bolsonaro tentar se aproximar de emedebista

A reunião entre Lula e Sarney já era esperada, mas só foi informada pela equipe do petista no fim da tarde, horas depois de ter acontecido.

Gilberto Amaral entre os ex-presidentes Lula e José Sarney no Itamaraty

Daniel Carvalho
Brasília, DF

Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Sarney (MDB) tiveram um encontro em Brasília na manhã desta quinta-feira (6), pouco mais de uma semana depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ter tentado uma aproximação com o emedebista.

A reunião entre Lula e Sarney já era esperada, mas só foi informada pela equipe do petista no fim da tarde, horas depois de ter acontecido, quando uma foto dos dois ex-presidentes foi publicada nas redes sociais. Sarney proibiu seus assessores de dar informações sobre o encontro. “O [ex-]presidente [Lula] queria vê-lo, também a dona Marly [esposa de Sarney], então, foi fazer uma visita. O [ex-]presidente Sarney tem um grande carinho pelo [ex-]presidente Lula, um grande respeito, e é recíproco também”, disse a presidente nacional do PT, a deputada Gleisi Hoffmann (PR).

Na semana passada, quando a CPI da Covid foi instalada no Senado, Bolsonaro procurou Sarney, encontro que não apareceu na agenda oficial do atual ocupante do Palácio do Planalto e foi articulado pelo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). A reunião entre Bolsonaro e Sarney se deu em um momento em que o governo está acuado por causa da comissão, que tem como relator um outro emedebista, Renan Calheiros (AL).

“[A visita de Lula] não tem nada a ver com a visita de Bolsonaro. [O encontro] já estava pensado pelo [ex-]presidente Lula em, vindo a Brasília, fazer uma visita ao ex-presidente Sarney, que, aliás, sempre foi solidário com o [ex-]presidente durante todo esse tempo aí que ele lutou para denunciar o processo de injustiça, da prisão dele, o processo de Sergio Moro”, disse Gleisi.

Lula está em Brasília desde a última segunda-feira (3), em uma série de encontros políticos e diplomáticos. A maioria das reuniões acontece no “bunker” que Lula montou em um hotel na região central da capital federal. Nesta sexta (7), ele ainda deve receber a bancada petista do DF. Esta é a primeira vez que Lula vai a Brasília desde que retomou seus direitos políticos.

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou nesta quarta-feira (5), o petista se lançou numa ofensiva para as eleições de 2022 que avança sobre aliados de Bolsonaro. Lula recebeu o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, na quarta. No dia seguinte, havia previsão de um encontro com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), eleito com a ajuda de Bolsonaro, mas os dois acabaram não se encontrando.

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Ao longo desta quinta, além do encontro com Sarney, Lula recebeu no hotel em que está hospedado os embaixadores de África do Sul, Grécia, Argentina, Cuba e Venezuela. À noite, ele foi à embaixada do Reino Unido. No início da semana, havia ido à representação da Alemanha. Havia expectativa de um encontro com a embaixada da Rússia, mas, em meio às negociações com o governo brasileiro para aprovação da vacina Sputnik V contra a Covid, a reunião não ocorreu.

Além de nomes do PT, embaixadores, Kassab e Sarney, Lula conversou ao longo da semana com os senadores Fabiano Contarato (Rede-ES), Kátia Abreu (PP-TO), Jader Barbalho (MDB-PA) e Weverton Rocha (PDT-MA), os deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ), Marcelo Ramos (PL-AM), Alessandro Molon (PSB-RJ), Paulinho da Força (Solidariedade-SP) e Marcelo Freixo (PSOL-RJ), e o ex-senador Eunício Oliveira (MDB-CE).

Além de articulações políticas para 2022, em especial no Rio de Janeiro, onde há tentativa de se estruturar uma frente ampla para enfrentar o candidato bolsonarista ao governo do estado, colégio eleitoral do atual presidente, Lula também procurou criar no Congresso um ambiente favorável ao aumento do valor do auxílio emergencial para R$ 600 até o fim da pandemia.

No ano passado, foram cinco parcelas de R$ 600 e quatro de R$ 300. Foram gastos R$ 293 bilhões para atender 67,9 milhões de pessoas. Em abril deste ano, o governo começou a pagar quatro parcelas de R$ 150, R$ 250 ou R$ 375. O governo prevê um gasto de R$ 44 bilhões para atender 45,6 milhões de pessoas.

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As informações são da FolhaPress






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