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Política & Poder

Lula mantém vantagem com 41% no 1º turno contra 31% de Flávio, aponta Datafolha

Desde então, o escândalo do Master chegou à cúpula do PT e passou a ser um problema compartilhado entre Lula e Flávio

Redação Jornal de Brasília

20/06/2026 13h30

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Foto / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

CAROLINA LINHARES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Lula (PT) manteve a vantagem e marca 41% no cenário mais provável de primeiro turno ante 31% de Flávio Bolsonaro (PL). A nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20) mostra que o senador estancou por ora o prejuízo eleitoral causado pelo caso “Dark Horse”.

Na rodada anterior, feita após a revelação de que Flávio havia pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para bancar um filme sobre Jair Bolsonaro (PL), Lula marcou 40% enquanto o senador tinha os mesmos 31%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A situação de estabilidade também define o hipotético segundo turno entre Lula e Flávio, em que ambos repetiram o placar visto há um mês, de 47% para o petista e 43% para o bolsonarista. Desta vez, os brancos e nulos somam 8%, e 1% não sabe.

Desde então, o escândalo do Master chegou à cúpula do PT e passou a ser um problema compartilhado entre Lula e Flávio. O novo levantamento, porém, só capta parcialmente esse efeito, pois foi realizado na quarta-feira (17) e quinta-feira (18), dia da operação da Polícia Federal que mirou Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado suspeito de ter recebido pagamentos de Vorcaro.

O Datafolha ouviu 2.004 entrevistados em 139 cidades. A pesquisa está registrada no TSE (Superior Tribunal Eleitoral) com o número BR-09956/2026.

Lula e Flávio lideram isolados o primeiro turno, que teve novidades como a entrada de Aécio Neves, que o PSDB cogita lançar à Presidência, e a substituição de Aldo Rebelo por Joaquim Barbosa no DC.

Depois de Lula com 41% e de Flávio com 31%, aparecem Ronaldo Caiado (PSD) com 3%, Renan Santos (Missão) com 3%, Romeu Zema (Novo) com 2%, Aécio Neves (PSDB) com 2%, Samara Martins (UP) com 2%, Augusto Cury (Avante) com 2%, Joaquim Barbosa (DC) com 1%, Cabo Daciolo (Mobiliza) com 1% e Rui Costa Pimenta (PCO) com 1%.

Hertz Dias (PSTU) e Edmilson Costa (PCB) não pontuaram. Brancos e nulos somam 7%, e 4% responderam não saber em quem votar.

O caso “Dark Horse” (nome do filme, que significa azarão) representou um baque para Flávio, que em abril havia conseguido empatar com Lula na simulação de segundo turno e, depois do escândalo, viu a diferença atingir quatro pontos. Na primeira etapa, a vantagem de três pontos do presidente passou para nove.

Se a estabilidade atual, portanto, é uma boa notícia para Flávio, não se pode dizer o mesmo sobre Lula, que ainda espera capitalizar perante o eleitorado seu pacote de bondades de mais de R$ 140 bilhões em créditos e subsídios.

Essa é a primeira pesquisa Datafolha desde que a Câmara dos Deputados aprovou o fim da escala 6×1, uma das principais apostas do governo Lula para ampliar os pontos do petista. Travada no Senado, porém, a medida corre o risco de ficar para depois de outubro.

O Datafolha testou outras duas possibilidades de segundo turno. Quando a disputa é entre Lula e Caiado, o petista tem 47% contra 41% do ex-governador de Goiás. Brancos e nulos são 10%, e 2% não sabem. A diferença de seis pontos entre os pré-candidatos teve uma oscilação em relação ao último levantamento, quando era de nove pontos (48% a 39%).

Já entre Lula e Zema, o placar é de 48% do presidente ante 39% do ex-governador de Minas Gerais, mesma diferença da pesquisa anterior, com 11% de brancos e nulos e 2% que não sabem.

A pesquisa espontânea, quando o eleitor não vê a lista de opções, também confirma a posição de Flávio como o principal candidato anti-Lula. O presidente lidera, com 30%, seguido do senador, com 17%. Caiado, Zema e Renan têm 1% cada.

Lula e Flávio estão empatados tecnicamente, dentro da margem de erro, quando a pergunta é em qual candidato o entrevistado não votaria de jeito nenhum. O bolsonarista está numericamente à frente no quesito rejeição, com 48%, seguido do petista com 46%. Aécio figura em terceiro lugar, com 23%. Há 17% que não votariam em Zema e 14% que descartam Caiado.

A menos de dois meses do início da campanha, Lula e Flávio têm travado duelos em temas como a soberania, Pix e segurança pública. Depois de um encontro com Donald Trump, o senador conseguiu que facções criminosas fossem consideradas terroristas pelos EUA e lançou uma série de promessas linha-dura para reanimar sua base conservadora.

Em contrapartida, o presidente prometeu um programa contra roubo de celulares e cobrou a presença de ministros em inaugurações de obras pelo país. Os governistas temem que a operação contra Jaques Wagner, um amigo de Lula, esvazie a exploração do “Dark Horse”, mas já investem em outra frente de ataques a Flávio, classificado como traidor por se alinhar aos EUA em meio à ameaça de mais tarifas.

As preferências de cada perfil de eleitor, reforçadas a cada pesquisa, já são bem conhecidas pelas campanhas, mas nem por isso fáceis de reverter. Flávio, por exemplo, busca uma vice mulher para melhorar sua imagem no segmento em que ele marca 37% ante 52% de Lula em um eventual segundo turno.

Entre donas de casa, Lula tem 56% e Flávio, 38%. A mesma disparidade é vista entre estudantes –o petista marca 55% e o bolsonarista, 38%. Já no universo dos empresários, o senador lidera com 69% e o presidente marca 25%.

Lula tem mais apoio entre os mais pobres, menos escolarizados, pretos, homossexuais e bissexuais e chega a 61% no Nordeste. Flávio tem desempenho melhor entre os mais ricos, evangélicos, brancos e alcança 54% no Sul.

O Datafolha perguntou ainda se os eleitores se arrependem do voto dado em 2022, quando Lula venceu Bolsonaro por 50,9% a 49,1%. As respostas se mantiveram estáveis. Entre quem votou no atual presidente, 91% não se arrependem e 9% se arrependem. Para o ex-presidente, os índices são de 93% e 7%, respectivamente.

Os dados de levantamentos eleitorais não devem ser compreendidos como previsões para o resultado final das eleições. Eles servem de termômetro para opinião de eleitores no momento em que a pesquisa é feita.

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