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Política & Poder

Lula mantém apoio a Pacheco, mas rejeição de Messias pode atrapalhar aliança em Minas Gerais

Parte do grupo próximo de Lula avalia que Pacheco ajudou Davi Alcolumbre, a arregimentar os votos para rejeitar a indicação de Messias

Redação Jornal de Brasília

01/05/2026 7h32

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Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

CAIO EPECHOTO, CATIA SEABRA, CAROLINA LINHARES E AUGUSTO TENÓRIO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Apesar da desconfiança de petistas em relação ao ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) após a rejeição de Jorge Messias para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), a orientação do presidente Lula (PT) a aliados foi manter o apoio à eventual candidatura dele ao Governo de Minas Gerais.

Parte do grupo próximo de Lula avalia que Pacheco ajudou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a arregimentar os votos necessários para rejeitar a indicação de Messias na votação da quarta (29), apesar de ter feito acenos ao indicado. Isso deteriorou a relação com o senador e reforçou entre setores lulistas a impressão de que ele não será candidato.

Quando as suspeitas sobre a lealdade de Pacheco foram levadas a Lula, em reunião no Palácio da Alvorada após a derrota de Messias, o petista respondeu que ele continua sendo o candidato do grupo e que a votação no Senado não tinha relação com a campanha eleitoral.

Há dúvidas, porém, sobre a disposição da base do PT com a candidatura de Pacheco diante do desgaste causado pela rejeição de Messias.

O advogado-geral da União precisava do apoio de ao menos 41 senadores para ser nomeado ministro, mas obteve apenas 34 votos. Pacheco se tornou personagem central da crise porque era o nome preferido por Alcolumbre e por boa parte dos senadores para integrar o STF.

Em retaliação ao fato de Lula não ter escolhido Pacheco, que é advogado, Alcolumbre trabalhou contra a aprovação de Messias.

Aliados de Pacheco veem como injusta a suspeita de que ele tenha atuado contra o governo e dizem que, pelo contrário, ele ajudou Messias. Segundo esses relatos, foi o senador quem levou o advogado-geral da União para o evento na casa de Cristiano Zanin em que ele teve a oportunidade de conversar informalmente com Alcolumbre.

A interlocutores Pacheco afirma que mantém a disposição de concorrer em Minas, desde que sua candidatura demonstre viabilidade política e eleitoral. Mas a derrota de Messias pode abalar o processo, já que tentativas de constrangimento por parte do PT fariam o senador desistir, de acordo com seu entorno.

Alguns integrantes do Palácio do Planalto afirmam ter segurança de que Pacheco atuou para tirar votos de Messias. O ressentimento de governistas com o senador se ampliou nesta quinta-feira (30) por ele não ter votado na deliberação do Congresso que acabou por derrubar o veto de Lula à redução de penas dos condenados por golpismo.

A derrota do governo, nesse caso, já estava precificada, mas a participação de Pacheco demonstraria boa vontade, segundo essa avaliação.

O presidente da República trabalhou durante meses para convencer Pacheco a se candidatar, avaliando que ele seria o aliado ideal para capitanear sua campanha de reeleição em Minas. O senador deu sinais de que pode disputar a eleição e se filiou ao PSB para viabilizar a candidatura, mas nunca fez um gesto decisivo. Essa postura já incomodava petistas mesmo antes da rejeição de Messias.

As conversas sobre uma candidatura de Pacheco tinham a participação de Alcolumbre, de quem o senador é aliado próximo. A rejeição de Messias implodiu a relação entre os presidentes da República e do Senado, dificultado esse planejamento eleitoral.

Caso o PT desista de uma aliança com Pacheco –ou o senador rejeite definitivamente a candidatura– haverá consequências na política nacional. O presidente da República precisará procurar, nesse cenário, um novo nome ao qual possa se associar em Minas Gerais. O estado é o segundo com mais eleitores no Brasil e costuma ser decisivo em eleições presidenciais.

A lógica é que candidatos a governador ajudam a dar volume, nos estados, a campanhas presidenciais. É o que o jargão político chama de montagem de palanques.

Até por isso, parte dos aliados do chefe do governo ressalva que ele só desistirá de lançar Pacheco caso encontre um nome alternativo para disputar o governo mineiro.

A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), que disputará o Senado na aliança de Lula, defende que Pacheco seja o candidato do grupo. “Não se pode responsabilizá-lo pelo resultado [rejeição de Messias]. Eu ainda acho que ele é nosso candidato ao governo”, declarou ela.

Interlocutores de Pacheco afirmam não ver razão para desconfianças e enumeram gestos do senador tanto a Messias quando a Lula, quando foi presidente do Senado.

Ainda de acordo com esses aliados, o senador liderou a articulação pelo apoio do PSB a Messias. Na véspera da sabatina, o indicado almoçou com a bancada do partido, que divulgou uma nota de apoio e uma foto, em que o advogado-geral aparece ao lado do senador e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Além disso, Pacheco cumprimentou Messias publicamente, durante a sabatina, com um abraço. O entorno do senador lembra ainda que, como presidente do Senado, ele ajudou Lula a emplacar dois indicados ao STF, Zanin e Flávio Dino.

A avaliação desse grupo é a de que o pragmatismo de Lula favorece a manutenção da candidatura, considerando que faltam alternativas ao PT.

Políticos do entorno de Lula souberam recentemente que o empresário Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar e aliado do petista, filiou-se ao PSB. Um novo arranjo sem Pacheco poderá passar por uma candidatura de Josué ao Senado ou mesmo ao governo.

Além disso, o PDT lançou como pré-candidato o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que foi aliado de Lula na eleição de 2022. Os pedetistas cobram apoio do PT em Minas Gerais.

Além de ser um grande colégio eleitoral, Minas Gerais também grande valor simbólico na eleição presidencial. A última vez que um candidato a presidente foi eleito sem vencer no estado foi em 1950, quando Getúlio Vargas voltou ao poder pelo voto direto.

Em 2022, Lula ganhou por margem estreita entre o eleitorado mineiro. Teve 50,2% dos votos no segundo turno contra 49,8% de Jair Bolsonaro (PL). Nacionalmente, o petista teve 50,9% contra 49,10% de Bolsonaro.

O petista aparece empatado nas pesquisas de intenção de voto para segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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