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Política & Poder

Lula cobra mais ação dos países ricos contra desigualdades no G7

Em discurso na cúpula em Évian, na França, presidente defendeu mais apoio às nações pobres e criticou guerra, protecionismo e falta de vontade política.

Redação Jornal de Brasília

16/06/2026 22h13

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Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta terça-feira (16) mais empenho dos países ricos para reduzir as desigualdades no mundo, durante a Cúpula do G7, em Évian, na França. Convidado para o encontro, ele afirmou que a distância entre a prosperidade das economias avançadas e a realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo.

Segundo Lula, os desafios globais se multiplicam enquanto a solidariedade internacional encolhe. Em seu discurso, ele defendeu que é preciso corrigir as desigualdades de um sistema que, na avaliação dele, produz riqueza em abundância, mas distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica.

O presidente afirmou ainda que, no ano passado, houve queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento. Ele citou também que o Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% do financiamento, enquanto a Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%.

Lula associou esse cenário às guerras e aos conflitos, que, segundo ele, continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento. Ele disse que os gastos militares anuais somam quase US$ 3 trilhões e ressaltou que esse volume impacta diretamente milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada, à educação e à saúde.

O presidente também lembrou que o mundo em desenvolvimento transfere US$ 1,4 trilhão por ano em serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos. Para ele, o desafio não é administrar a escassez, mas enfrentar um déficit de implementação e de vontade política.

No discurso, Lula criticou a defesa de desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade como fins em si mesmos, além do ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo como respostas às crises globais. Sem citar nomes, ele afirmou que a concentração de riqueza no mundo segue extrema.

O presidente também mencionou que, desde 2003, participou de outras nove cúpulas do então G8 ou do G7 e disse que, em todas elas, foram enfrentados desafios que afetam milhões de pessoas, sem que houvesse construção de respostas coletivas e duradouras.

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