Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Política & Poder

Lira diz que votação da reforma administrativa deve ser adiada para próxima terça

Segundo ele, ainda há “alguns ruídos” e, por isso, o relator do texto, Arthur Maia, faria nesta quinta-feira apenas a leitura do parecer

Por FolhaPress 16/09/2021 12h40
Foto: Michel Jesus/agência Câmara

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta quinta-feira (16) que a votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da reforma administrativa deve ocorrer apenas na próxima terça-feira (21). Em videoconferência realizada pela casa de investimentos Necton, Lira afirmou que o texto seria votado “de hoje para terça-feira” na comissão especial da Câmara criada para cuidar do tema.

Segundo ele, ainda há “alguns ruídos” e, por isso, o relator do texto, Arthur Maia (DEM-BA), faria nesta quinta-feira apenas a leitura do parecer. A votação ficaria para terça. “Aí pode ir ao plenário na quarta, na quinta, no tempo mais hábil possível”, disse. As alterações feitas por Maia em seu último relatório deixaram o clima desfavorável ao projeto na Casa. Ele recuou da ideia de prever a possibilidade de redução de 25% da jornada de trabalho para cargos que não sejam considerados típicos de estado.

Além disso, considerou inconstitucionais emendas que tentavam incluir membros de outros Poderes e magistrados nas novas regras do serviço público, inviabilizando a estratégia de partidos que buscavam ampliar os efeitos da reforma. O autor de um dos destaques, deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), criticou a decisão. “O Parlamento já reformou competência jurisdicional do Judiciário na emenda 45, mexeu na previdência dos magistrados e até na idade máxima de aposentadoria compulsória. Não faz sentido decidir que, justamente na matéria de privilégios, o parlamento não teria competência para decidir.”

Com as recentes mudanças, o CLP (Centro de Liderança Pública) mudou de lado e disse que agora “é terminantemente impossível que se defenda a aprovação desta PEC”. Maia tem cedido a pressões de entidades ligadas ao funcionalismo público e de parlamentares cuja base eleitoral é formada por corporações. No entanto, os recuos do relator criaram um clima de animosidade com parlamentares que defendem uma reformulação no serviço público.

Por causa do ambiente de incertezas em relação à proposta, a comissão que votaria o relatório de Maia nem chegou a se reunir na manhã desta quinta-feira. Há a expectativa de que o relator leia o texto na tarde desta quinta –ato formal para permitir a votação na próxima semana. Em setembro do ano passado, o governo enviou ao Congresso a PEC da reforma administrativa, que altera as regras no funcionalismo público. Pelo texto, não há efeito sobre os atuais servidores.

O pacote atinge futuros servidores dos três Poderes na União, estados e municípios, mas preserva categorias específicas. Juízes, procuradores, promotores, militares, deputados e senadores foram poupados nas mudanças de regras. Assim que foi nomeado relator da reforma, Maia defendeu que inclusão de todos, inclusive juízes e militares.
Mas o discurso dele mudou há cerca de duas semanas, quando ele justificou o fato de não ter acatado emenda que buscava incluir outros Poderes na PEC com um parecer da Câmara que teria apontado inconstitucionalidade na medida.

A ideia era dar a palavra final sobre o tema aos membros da comissão especial na votação. No entanto, a versão mais recente do relatório declarou que as sugestões de incluir os membros dos demais Poderes na reforma são inconstitucionais. Com isso, partidos não conseguem propor uma votação específica sobre esse tema.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE








Você pode gostar