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Líder da oposição pede ao STF investigação sobre interferência de Bolsonaro na PF

Uma interceptação telefônica feita pela PF sugere que Milton tenha sido comunicado por Bolsonaro sobre uma possível busca e apreensão

Por FolhaPress 24/06/2022 7h49
Foto: Divulgação / Agência Brasil

Cézar Feitoza
Brasília, DF

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), entrou nesta sexta-feira (24) com uma petição no STF (Supremo Tribunal Federal) para pedir a abertura de um inquérito contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) por suposta interferência na operação da Polícia Federal contra o ex-ministro Milton Ribeiro.

Uma interceptação telefônica feita pela PF sugere que Milton tenha sido comunicado por Bolsonaro sobre uma possível busca e apreensão contra o ex-ministro.

“Estamos presenciando um ataque às instituições e o escancaramento da corrupção. Uma conduta gravíssima de interferência na autonomia de um órgão que deve agir com independência na apuração dos fatos”, disse Randolfe.

O pedido de Randolfe foi feito no âmbito do inquérito do STF aberto após a saída de Sérgio Moro do governo. Em coletiva para anunciar a demissão, o ex-ministro acusou Bolsonaro de interferir na Polícia Federal para proteger aliados e familiares.

O inquérito foi encerrado após a PF concluir que não havia indícios da interferência do presidente na corporação. O relator é o ministro Alexandre de Moraes.

O caso Milton foi enviado para o STF nesta sexta, por decisão do juiz Renato Borelli, após ser identificada a suspeita de interferência de Bolsonaro e de vazamento da operação Acesso Pago, que prendeu Milton e pastores no caso do balcão de negócios no Ministério da Educação.

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“Hoje o presidente me ligou, ele está com pressentimento, novamente, que eles podem querer atingi-lo através de mim. É que tenho mandando versículos para ele”, disse Ribeiro, na conversa revelada pela GloboNews e confirmada pela Folha.

Além da investigação no Supremo, Randolfe também investe na abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar as suspeitas sobre o Ministério da Educação e a suposta interferência de Bolsonaro.

Na quarta-feira (23), o senador reuniu todas as assinaturas necessárias para a abertura da CPI.
Após o requerimento ser protocolado, a instalação da comissão de investigação vai depender da leitura do documento em plenário pelo presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Ele já adiantou, porém, considerar que a proximidade do período eleitoral “prejudica o escopo de uma CPI”.

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