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Lava Jato tentou usar programa espião israelense

Software Pegasus ficou conhecido na semana passada após a descoberta de que governos estariam usando-o para espionar jornalistas

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A extinta força-tarefa da Lava Jato tentou usar o programa israelense de espionagem chamado Pegasus. Este software ficou mundialmente conhecido após a descoberta de que governos o utilizaram para espionar jornalistas, ativistas e inimigos políticos.

Documentos revelam detalhes das negociações entre os membros da força-tarefa e representantes da empresa que vendiam o Pegasus. Numa conversa no chat do grupo de procuradores em 31 de janeiro de 2018, é citada uma reunião entre os membros da “Lava Jato” do Rio de Janeiro, de Curitiba e representantes de uma empresa israelense que vendia uma “solução tecnológica” que “invade celulares em tempo real (permite ver a localização etc)”. Essa tecnologia, segundo os advogados, mais tarde seria identificada como sendo o tal software. A informação é do portal UOL.

O procurador Júlio Carlos Motta Noronha escreveu naquele dia (as mensagens foram reproduzidas nesse texto exatamente da forma como foram escritas):

“Pessoal, a FT-RJ (Força Tarefa do Rio de Janeiro) se reuniu hj com uma outra empresa de Israel, com solução tecnológica super avançada para investigações.

A solução ‘invade’ celulares em tempo real (permite ver a localização,etc.). Eles disseram q ficaram impressionados com a solução, coisa de outro mundo.

Há problemas, como o custo, e óbices jurídicos a todas as funcionalidades (ex.: abrir o microfone para ouvir em tempo real).

De toda forma, o representante da empresa estará aqui em CWB, e marcamos 17h para vir aqui. Quem puder participar da reunião, será ótimo! (Inclusive serve para ver o q podem/devem estar fazendo com os nossos celulares).”

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A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou, nesta segunda-feira (26), uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) que revela como os procuradores da força-tarefa tentaram buscar um sistema de espionagem. A perícia tem como base mensagens de chats entre membros da Lava Jato apreendidas na Operação Spoofing.

 






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