CATIA SEABRA E AUGUSTO TENÓRIO
FOLHAPRESS
Apesar da articulação deflagrada para convencê-lo a se afastar da função, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), tem reiterado a aliados que não pretende se licenciar imediatamente do cargo, exceto se houver um pedido do presidente Lula (PT).
Uma conversa entre os dois é esperada para quarta-feira (24), quando o senador deverá retornar a Brasília. A expectativa é que Lula peça para Wagner entregar o cargo, caso o líder do governo não tome essa iniciativa antes do encontro.
Mesmo que inclinados a favor do afastamento do amigo, aliados de Wagner têm sugerido um acordo pelo qual ele só entregue a liderança após uma visita de Lula à Bahia, programada para 2 de julho, e sob a justificativa de que o senador precisa se dedicar à campanha no estado.
Após Wagner ser alvo de operação da PF em investigação do caso do Banco Master, a avaliação dentro do governo foi de que seria necessário blindar o presidente e estancar logo essa discussão, que interrompeu uma sucessão de notícias positivas para Lula.
Emissários da gestão petista tentam convencer Wagner de que a permanência na liderança é o que mantém sobre ele os holofotes, o que dificultaria até mesmo sua defesa.
Uma ala do governo já defendia a troca de Wagner após falhas na articulação, como na derrota da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal). Ele também ficou com má relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Dessa forma, aliados já defendiam que ele alegasse necessidade de focar a campanha para deixar a liderança.
Ainda segundo relatos, Lula gosta de Wagner e não quer passar a impressão de que não confia nele, mas ficou contrariado com o fato de o senador ter falado em seu nome durante entrevista na semana passada. Essas declarações levaram o problema do senador para dentro do Palácio do Planalto.
Wagner, por sua vez, tem insistido no argumento de que sua fragilização pode prejudicar a campanha do presidente na Bahia, estado fundamental para sua eleição em 2022.
Mas interlocutores de Lula dizem que a exposição do caso pode municiar o discurso de defesa de Flávio Bolsonaro (PL), que foi flagrado em conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para obtenção de recursos para um filme sobre do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Integrantes do grupo político do senador contam que Wagner tem ouvido opiniões favoráveis e contrárias ao seu afastamento da função. Entre eles, ganha força o apoio à proposta de licença, desde que o senador não saia abatido do cargo.
Dentro do governo, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, é um dos defendem essa blindagem a Lula, por considerar injusto que o presidente seja abalado pelo esquema que combateu. A estratégia seria manter o caso dentro das fronteiras da Bahia, lembrando não haver qualquer ação do governo para favorecimento do Master.
A tática governista é ressaltar que o escândalo só veio à tona graças a investigações no governo Lula, assim como a liquidação do banco.
Na quinta-feira (18), depois de a Polícia Federal deflagrar a operação na Bahia relacionada ao Banco Master, Lula telefonou duas vezes para Wagner. Segundo aliados do presidente, nas duas conversas, não puderam discutir uma sucessão na liderança do governo devido ao abalo emocional do senador.
Ministros afirmam que esse gesto de solidariedade do presidente não deve ser entendido como garantia de manutenção no cargo de líder, mas um aceno para que Wagner assuma a saída como uma iniciativa pessoal, sob o argumento de que precisa se dedicar à sua defesa.
Ainda segundo esses aliados, foi Lula quem sugeriu que ele concedesse uma entrevista para dar explicações. Mas, dentro do governo, a avaliação é de que elas foram insuficientes.
Na entrevista à Band News TV, o líder do governo no Senado citou o telefonema do presidente. “Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo”, afirmou.
Wagner também disse continuar na liderança do governo no Senado até segunda ordem. “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim.”
Aliados do presidente classificaram a entrevista como acima do tom, além de envolvê-lo no caso.
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Foto: Reprodução/X