Amanda Costa
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A notícia de que o Conselho de Ética da Câmara havia cancelado ontem a reunião em que ouviriam a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) causou constrangimento entre os conselheiros, que reclamaram da conduta da deputada federal. “Sendo processada pela própria Câmara, me parece que faltou a ela um senso de oportunidade no sentido de que não seria esse o melhor momento para ela pleitear que fosse representar a Câmara em um evento no exterior. Ela está sendo julgada por este conselho. A conduta dela está sob análise”, ressaltou Sampaio. “É fato que esta viagem, a pedido dela, acontece enquanto estava em jogo sua a defesa oral e até mesmo a leitura do parecer previamente anunciado para quarta que vem”.
Na sexta-feira passada, ela foi convidada a esclarecer as denúncias que pesam contra ela no conselho. Os advogados de Jaqueline, no entanto, declinaram do convite alegando que iriam se pronunciar somente por escrito. Mas, nesta semana, o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PDT-BA) e o relator do caso, Carlos Sampaio (PSDB-SP), foram surpreendidos com a informação de que Jaqueline está em Nova York, desde sexta-feira. A deputada pleiteou viajar representando a Câmara em missão oficial e, mesmo com o pedido negado, partiu.
Sampaio já havia anunciado que pretendia apresentar o relatório final sobre a investigação no próximo dia 25. Agora, a data fica estendida para 1º junho. A defesa de Jaqueline não abriu mão do prazo de cinco sessões ordinárias da Casa para apresentar argumentos em relação ao parecer da Corregedoria, encaminhado pela Mesa Diretora, que apontou indícios de quebra de decoro parlamentar. O parecer foi apensado ao processo já em curso no Conselho de Ética e, apesar de se tratar das mesmas denúncias, deu mais tempo para a defesa de Jaqueline.
O assessor da família Roriz, Paulo Fona, afirmou que o convite feito pelo Conselho de Ética para que a deputada comparecesse ao colegiado foi feito quando Jaqueline já havia embarcado para os Estados Unidos. De qualquer forma, garantiu que Jaqueline não iria, porque prefere se defender apenas por escrito. Fona também argumentou que a viagem foi um convite e que não implicará em ônus financeiro para a Câmara. Segundo ele, a deputada retornará ao País neste fim de semana.
Jaqueline foi filmada por Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM, recebendo R$ 50 mil de suposta propina. Segundo Durval, Jaqueline teria recebido mais de um repasse financeiro. A deputada diz que se trata de dinheiro de campanha não contabilizado (caixa dois). A defesa alega que Jaqueline não pode ser investigada por ato cometido anterior ao mandato. O vídeo foi gravado em 2006, quando ela era candidata a deputada distrital. Ela também é acusada de usar parte da verba indenizatória para pagar despesas de uma sala comercial do marido, Manoel Neto. A defesa alega que os recursos foram utilizados no pagamento de condomínio, o que seria permitido pelo regimento interno da Câmara.