Menu
Política & Poder

Inquérito já aberto contra Opportunity pode chegar a Valério e José Dirceu

Arquivo Geral

12/10/2012 9h43

Vasconcelo Quadros
redacao@jornaldebrasilia.com.br

O inferno astral do ex-ministro José Dirceu está apenas começando. Seus problemas devem aumentar com o novo inquérito aberto na Justiça Federal em São Paulo para investigar se o publicitário Marcos Valério – o operador do mensalão, já condenado pelo Supremo Tribunal Federal – atuou como intermediário de um suposto suborno envolvendo a antiga direção do PT com doações ilegais do Banco Opportunity. Condenado e correndo o risco de ser preso depois que a sentença transitar em julgado, Dirceu pode se tornar alvo de uma nova investigação que avance sobre suas atividades como consultor.

Desde que deixou o governo e teve o mandato de deputado cassado pela Câmara, o advogado José Dirceu dedica-se a consultorias a empresas nacionais e internacionais, ramo em que atuou sempre nos bastidores, prospectando negócios ou dando dicas a empresários. Em 2008, quando a Operação Satiagraha foi deflagrada, seu nome apareceu numa lista de pessoas influentes por meio das quais o banqueiro Daniel Dantas pretenderia melhorar seu relacionamento com o governo.

No dia em que a operação foi deflagrada, a Polícia Federal prendeu Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, já falecido. Dirceu nem sequer foi indiciado, mas seu nome sempre circulou como possível alvo das investigações. No final, o inquérito acabou sendo anulado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelo uso indevido de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nas investigações. O novo inquérito, cuja abertura foi autorizada pelo ministro Joaquim Barbosa, pode juntar numa única apuração fragmentos dos dois casos e, assim, complicar a situação do ex-ministro e dos demais petistas condenados.

Para o partido
O delegado que investigou o mensalão, Luiz Flávio Zampronha, fez constar no relatório uma suposta reunião em que teriam participado um dos dirigentes do Opportunity, Carlos Rodemburg, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares – também condenado agora em vários crimes pelo STF – e Marcos Valério. Nele, Delúbio teria pedido em nome da direção do partido uma ajuda de R$ 50 milhões para saldar dívidas de campanha. Amparou o inquérito o relato do delegado, indicando que as operações, negadas pelo Opportunity, foram consumadas.

Embora não restem dúvidas de que o PT vá apoiá-lo, a condenação e os riscos de prisão deixam Dirceu frágil diante do apetite instituicional para combater a corrupção. Ao abraçar a teoria do domínio do fato como argumento para alcançar o ex-ministro, o STF acabou dando a senha para a Polícia Federal e o Ministério Público apertarem o cerco.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado