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Indefinição de Pacheco embaralha formação de palanques em Minas

A indefinição do mineiro barra a movimentação de outras peças, o que acaba sendo um trunfo nas mãos do senador Gilberto Kassab

Por FolhaPress 23/01/2022 1h42
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Julia Chaib e Renato Machado
Brasília DF

Considerado um dos estados-chave na eleição presidencial de outubro, Minas Gerais começa 2022 ainda como uma incógnita em relação aos palanques para os atuais líderes na intenção de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual mandatário, Jair Bolsonaro (PL).

Um dos principais motivos é a indefinição do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que é largamente apontado como candidato ao Palácio do Planalto, mas ainda não dá indicações de quando pretende colocar seu bloco na rua -a ponto de alguns no mundo político considerarem que seu momento já passou.

A indefinição do mineiro barra a movimentação de outras peças, o que acaba sendo um trunfo nas mãos do senador e também do presidente de seu partido, Gilberto Kassab.

A ofensiva de nomes da terceira via em Minas não é exclusividade dos pessedistas. Outros partidos apostam em alianças para montar uma estrutura no estado, seja para impulsionar candidaturas ou apenas para adquirir poder e barganhar composições de chapa.

Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nas eleições de 2020, eram 15,8 milhões os mineiros aptos a votarem, o que representava na ocasião 10,7% do total de eleitores brasileiros.

Isso naturalmente levaria os principais candidatos à Presidência a correrem para fechar alianças com os favoritos no estado, mas a situação segue bastante indefinida.

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Os dois nomes favoritos para disputar o governo mineiro são os do atual governador Romeu Zema (Novo) e do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD). No entanto, nenhum dos dois consegue fechar alianças nacionais.

Kalil é o mais afetado com a indefinição de Pacheco. O prefeito da capital mineira já esteve em conversas para alianças com o PDT de Ciro Gomes e o PT de Lula em troca de palanque aos presidenciáveis. No entanto, se veria obrigado a apoiar o presidente do Senado, caso ele efetivamente lançasse sua candidatura.

“O PSD é sem dúvida o maior partido de Minas, com 10 deputados, 2 senadores, muita capilaridade, tem o prefeito de Belo Horizonte. Com certeza o PSD terá projeto próprio e o Kalil é competitivo”, afirma o presidente estadual da legenda, Alexandre Silveira.

“Sobre Pacheco, é mais do que natural, tendo em vista que é presidente do Congresso, que ele seja prudente na sua avaliação sobre discutir política eleitoral, o que é super normal. As candidaturas só se colocarão de forma definitiva no final de março, princípio de abril”, completa.

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Pacheco foi eleito presidente do Senado em seu primeiro mandato e ganhou notoriedade ao liderar ações de enfrentamento à pandemia, em um momento em que o governo optava por propagar o negacionismo. Ao trocar o DEM pelo PSD, no fim de outubro, seu nome entrou nos cenários da disputa pelo Planalto.

No entanto, na mesma medida, ganhou força nos bastidores a versão de que sua candidatura serviria apenas para o PSD ganhar poder de barganha e indicar o vice -como o próprio Kassab- para compor chapa.

No fim de 2021, muitos caciques partidários apontaram que o nome de Pacheco perdera força e que ele próprio estava mais discreto em relação às eleições, parando de criticar publicamente o governo federal e o próprio presidente Jair Bolsonaro.

Neste mês, durante o recesso, ele continua optando pela discrição, enquanto os principais candidatos têm participado de eventos, de transmissões na internet e de entrevistas. Os líderes do PSD, no entanto, garantem que o partido terá candidato, seja Pacheco ou outro.

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Seus aliados relatam que o presidente do Senado apenas optou por recuperar as energias, após um primeiro ano desgastante à frente do Congresso Nacional. A interlocutores mais próximos, Pacheco tem dito que segue com planos de lançar sua candidatura, mas aguarda para fazer uma análise mais completa do cenário.

Acrescenta que dificilmente vai largar a possibilidade de ser reeleito presidente do Senado, em fevereiro de 2023, se considerar que o ônus de uma candidatura seja maior que os benefícios.

Enquanto aguarda, no entanto, o presidente do Senado mantém seu poder de barganha e trava as alianças em Minas Gerais, não apenas a de Kalil.

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Políticos mineiros apontam que o próprio Zema aguarda uma definição de Pacheco, para definir a quem vai ceder palanque, e que por isso se encontra numa situação difícil. Embora possa lucrar com o apoio de um candidato favorito a nível nacional, também teria muito a perder caso optasse por estar ao lado do adversário de um candidato a presidente de Minas Gerais, que faz questão de exaltar a sua mineirice e que optou por fazer o ato de filiação ao PSD no memorial Juscelino Kubitschek.

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Adversários de Zema também apontam que o governador vive uma crise, entre estar ao lado ou não de Jair Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, Zema recebeu em Belo Horizonte o ex-ministro Sérgio Moro (Podemos) para discutir apoio.

“Bolsonaro em Minas decidiu apostar na candidatura de Romeu Zema. E depois, já governador, frequentou o Palácio do Planalto, uma vez por mês, pelo menos. Com a queda de popularidade, o que acontece? Ele começou a fugir do presidente”, afirma o senador Carlos Viana (MDB-MG), que recentemente deixou o PSD e se tornou um dos nomes para o governo de Minas, de olho no eleitorado conservador.

A eventual candidatura de Viana também representa o avanço em Minas de outra sigla que lançou nome para o Palácio do Planalto no campo da terceira via, mas que também mantém aberta a possibilidade de compor chapa e por isso busca ativos políticos nos estados. O MDB lançou a senadora Simone Tebet (MDB-MS), mas seu nome já vem sendo associado a dobradinhas com o candidato do PSDB, o governador João Doria, e também com o ex-juíz Moro.

“O MDB está decidido a ter candidatura própria em Minas, até por uma questão de fortalecer a chapa para deputados federais”, afirma o senador, que avalia que o fator travando as alianças está mais relacionado com o voto dos conservadores, que teriam ficado órfãos com o esfriamento da relação entre Zema e Bolsonaro.








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