CAIO SPECHOTO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O governo brasileiro pretende manter negociações com os Estados Unidos de Donald Trump e vê chance de evitar um novo tarifaço mesmo depois de autoridades americanas proporem um aumento de 25% nas alíquotas de importação de produtos do Brasil. A proposta veio ao fim de uma investigação comercial americana com base no que é conhecido como “Seção 301”.
Paralelamente, os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçaram o discurso de soberania nacional, que foi eficiente para alavancar a popularidade do petista em 2025 quando os Estados Unidos impuseram tarifas sobre produtos brasileiros.
Dessa vez, as falas devem conter referências ao Pix, meio de pagamento querido pelos brasileiros e que é atacado no relatório produzido pelas autoridades americanas. A ideia é potencializar ao máximo possível o desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República e principal adversário de Lula nas eleições de outubro.
O governo brasileiro esperava que novas tarifas fossem propostas ao fim da investigação comercial americana. A análise era de que o procedimento havia sido aberto para pressionar o Brasil a fazer concessões comerciais aos Estados Unidos.
Por essa lógica, haveria a possibilidade de evitar que as novas taxas entrem em vigor dependendo de como as conversas avançarem nas próximas semanas. Aplicar ou não a proposta derivada da investigação comercial é uma decisão que caberá a Trump.
Autoridades brasileiras ouvidas pela reportagem acharam especialmente negativa a retórica do relatório, que repete argumentos usados um ano atrás pelos Estados Unidos. Havia a expectativa de que as negociações e as conversas diretas entre Lula e Trump superassem esses argumentos.