Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br
Ao longo de 2012, o Palácio do Buriti viu a base governista perder aliados relevantes, a exemplo do PSB e PPS. Por esta razão articulistas palacianos consideram que um dos principais objetivos para 2013 é conter a “sangria” da base aliada. E ainda, construir diálogos no sentido de repor o capital político perdido desde a posse do governador Agnelo Queiroz, em 2011.
Novas perdas são indesejáveis, pois poderiam criar massas críticas na composição de coligações rivais para as próximas eleições. Por esta razão, o secretário-executivo do Conselho de Governo, Roberto Wagner, afirma que o governo deverá articular para manter a atual base, contornando pontos de tensão. “Eu trabalho para juntar. Nunca para dividir. Não sei trabalhar de outra maneira”, explicou.
A curto prazo, Wagner considera necessária a reaproximação com o distrital Cristiano Aráujo (PTB). O parlamentar foi exonerado da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, após articular uma rebelião da base na Câmara Legislativa, na eleição da Mesa Diretora. Por ora, a crise é pontual, mas há o temor de que ela se estenda ao PTB.
A médio prazo, o secretário pondera que ainda é viável uma reconciliação com o PDT. Além dos esforços locais do GDF, no plano federal estão em curso articulações entre o Palácio do Planalto e a legenda.
Quanto ao PSB, o secretário avalia a possibilidade de costurar um pacto em 2014. “É legítimo o desejo do senador Rodrigo Rollemberg (PSB) de se candidatar para o governo. Mas eleição em Brasília se define no segundo turno. Então, também é legitimo que tentemos um acordo para 2014: quem não for para o segundo turno, apoia o outro. Isso já será uma tremenda vitória”, sugeriu.
Goiás e Minas
Paralelamente, o secretário considera necessária uma aproximação mais intensa entre o Buriti e a Região Metropolitana e os governos de seus respectivos estados.
“A Secretaria do Entorno vai ter de melhorar neste ponto, da mesma forma como a Segurança Pública”, ponderou. “Vamos colocar o DF no mapa e fazer com que o governador Agnelo seja conhecido como o governador da capital do Brasil”, disse o secretário, que avalia que o governo precisa melhorar a comunicação de suas ações junto à população.
Sem espaço para disputas internas
“Precisamos deixar o governo mais ágil e coeso. Todo mundo precisa falar a mesma língua”, afirma o presidente regional do PT, deputado federal Roberto Policarpo, a respeito das metas políticas de 2013. Na avaliação de Policarpo, não há mais espaço para que disputas internas desgastem o desempenho do governo.
“Não existe mais possibilidade para que disputas entre partidos travem ações. Quem fizer isso, está fora do governo”, disparou Policarpo. Nos bastidores, comenta-se que a cúpula palaciana está atenta para evitar que projetos individuais e os consequentes rearranjos de secretarias e demais órgãos “contaminem” o desempenho do governo.
“O governo definiu metas para 2013 e 2014. E cada secretaria será cobrada. É preciso cumprir o que foi estabelecido, de qualquer jeito”. Policarpo apontou que a Casa Civil será o termômetro do governo: “O secretário Swedenberger Barbosa sabe tudo que vem sendo feito”.
Em relação às pesquisas internas de opinião pública feitas pelo governo, Policarpo avalia que os indicadores atuais estão a contento, mas que é preciso fechar 2013 com números mais confortáveis.
Segundo o presidente do PT, os estudos encomendados pelo Buriti apontam aprovação de 60% do governo, mas o ideal é chegar a 80%.