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Política & Poder

Gastos com festanças são questionados até pelo PT

Arquivo Geral

20/07/2013 14h50

A farra de festas e shows com dinheiro público no Distrito Federal está mesmo em crise. A mais nova reclamação partiu dos próprios militantes do Partido dos Trabalhadores (PT), que entregaram ontem ao Buriti uma nota de repúdio aos gastos nas comemorações do aniversário da administração do Sudoeste/Octogonal. O presidente da Zonal do PT Cruzeiro/Sudoeste/Octogonal, Zaldo Borges, considerou os gastos “indigestos” e pediu ao governador que acione a Secretaria de Transparência e Controle (STC) e o Ministério Público (MP) para investigar superfaturamento no pagamento dos cachês dos artistas.

 

A administração regional gastou, entre os dias 17 e 19 de maio, cerca de R$ 425 mil apenas com artistas de pouca expressão. Segundo Zaldo, os valores estariam acima dos que eles normalmente cobram. “Esses valores estão acima do preço de mercado. Se fossem artistas consagrados não teria problema, mas não eram. Na cidade, falta infraestrutura básica e se a comunidade fosse consultada como esses valores teriam de ser gastos, eu tenho certeza que ela não ia querer esses shows”, afirma o presidente da Zonal.

 

Dinheiro mal aplicado

 

De acordo com a nota, “os moradores do Sudoeste/Octogonal, como tantas outras cidades no DF, ainda sofrem com a falta de calçadas decentes, rampas de acessibilidade, lixeiras e iluminação”.

 

Os militantes do PT reclamam ainda da cobrança de taxas para que os moradores da Região Administrativa pudessem montar barracas para vender produtos durante as comemorações.

 

Ter a certeza

 

Zaldo Borges afirma que, além de uma apuração da Secretaria de Transparência, espera ainda que o MP  seja provocado para que também abra processo investigativo. “Estamos pedindo que o governador faça a investigação, pois não queremos fazer julgamento antecipado sobre a índole de ninguém”, pede Zaldo.

“A conta não está fechando. Na eleição (2010), o caminho que propusemos foi o da lisura e da transparência”, conclui

 

Fator político pesa também nas denúncias

 

O pedido de investigação do dinheiro gasto com as festividades de dez anos da regional Sudoeste-Octogonal também tem implicações políticas.

 

De acordo com o presidente Zonal do PT, o administrador Marcelo Ciciliano foi indicado pelo deputado distrital Raad Massouh (PPL), que responde na Câmara Legislativa a  processo de cassação, por possíveis desvio de verba de shows, contratados sem licitação, em festas comemoradas na Região Administrativa de Sobradinho, em 2010.

 

Saiu da Câmara

 

Em seu perfil, na página da Administração Regional, o currículo de Marcelo aponta que ele trabalhou entre os anos de 1996 e 2010 na Câmara Legislativa e só saiu da Casa após convite para assumir a regional.

 

Já como administrador, Marcelo Ciciliano também foi investigado pela Operação Mangona, responssável pelo indiciamento de seu padrinho político Raad Massouh. À época, Ciciliano se disse supreso por ser alvo e confirmou que elaborava as emendas do distrital para shows.

 

A assessoria da Administração foi procurada, mas até o fechemento desta matéria não obtivemos retorno. Em nota, a Secretaria de Comunicação afirmou que “o assunto será investigado e ensejará as medidas cabíveis”

 

Saiba mais

 

A Secretaria de Cultura suspendeu por 30 dias, a partir de 11 de julho,   todas as contratações de shows pelas administrações regionais.

 

Elas eram realizadas, em sua maioria, com dinheiro repassado a partir de emendas dos parlamentares. 

 

As contratações dos shows eram feitas diretamente pelas administrações, sem licitação.

 

De acordo com a própria Secretaria de Cultura, foram recebidas mais de 60 denúncias de irregularidades nos contratos feitos pelas administrações.

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