JOÃO PEDRO ABDO
FOLHAPRESS
O ministro Luis Felipe Salomão, vice-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), defendeu nesta sexta-feira (31) que advogados filhos de juízes devem exercer a profissão livremente.
“Você não pode proibir ou vedar o livre exercício de uma profissão. Eles atuam livremente. O que tem que reforçar é a maneira transparente como se julgam os casos”, afirmou Salomão, que assume a presidência do STJ em 19 de agosto.
O ministro também disse que não vê o parentesco como fator determinante em decisões de tribunais como o STF (Supremo Tribunal Federal) e defendeu que a solução estaria na formação dos magistrados.
“O que tem que reforçar é essa deontologia, é essa educação para que os juízes e os filhos respeitem a ética e a disciplina que devem respeitar”, disse.
As declarações foram dadas no 21º Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), em São Paulo. O ministro foi sabatinado pela repórter do jornal O Globo Sarah Teófilo, pela jornalista Juliana Dal Piva, colunista do ICL Notícias, e pelo repórter da Folha José Marques.
Salomão defendeu que os valores pagos a magistrados por palestra sejam divulgados, mas chamou de hipocrisia a proibição para juízes frequentarem eventos. Segundo ele, em uma sociedade como a nossa, é impossível evitar relações sociais.
“Dizer que ele não vai é hipocrisia. Ele vai participar. Tem que dar alguns valores? Tem […] Mas dizer que magistrado não tem o direito de interagir com outros, conhecer o que está acontecendo em outros países, conhecer o que está acontecendo nas outras carreiras jurídicas”, disse.
O vice-presidente do STJ criticou manifestações políticas de magistrados em redes sociais e em público.
Segundo ele, a opção pela magistratura não permite esse tipo de atuação.
“O juiz que tem posicionamento político está na profissão errada. Não pode ter posicionamento político. Política é paixão. Política partidária é para ser desenvolvida para quem não ocupa essa função, porque justamente ela tem um viés”, afirmou.
As denúncias de assédio sexual envolvendo o ministro do STJ Marco Buzzi também foram abordadas. O ministro vai a julgamento em 6 de agosto no plenário da corte e pode perder o cargo.
Salomão afirmou que o STJ tem ferramentas para apurar e punir casos como esse, mas afirmou que pretende pensar preventivamente.
“Se tem um ponto que um acontecimento como esse permite, é uma reflexão profunda de como a gente trata uma matéria como essa. Especificamente em relação ao STJ, é evidente que nós temos, estamos estudando todas as medidas para que isso não volte a ocorrer”, disse.
Além disso, ele comemorou a aprovação pelo Congresso Nacional da regulamentação do filtro de relevância para recursos especiais. A medida cria novos critérios para que processos subam ao STJ e promete desafogar a corte. O magistrado rebateu as críticas feitas por advogados.
“A gente acha que suprimindo mais um recurso, não é bem uma supressão […] Vai haver um filtro para que o tribunal possa receber novas demandas, nós acreditamos que vai agilizar ao longo do tempo essa duração dos processos”, disse.
Futuro presidente do STJ defende ‘livre exercício da profissão’ de advogados filhos de juízes
Ministro também disse que não vê o parentesco como fator determinante em decisões de tribunais como o STF e defendeu que a solução estaria na formação dos magistrados
Foto: Sergio Amaral/ STJ