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Política & Poder

Flávio viaja aos EUA; presidente do PL descarta substituir pré-candidato

Valdemar apresentou uma justificativa para a visita de Flávio ao banqueiro em novembro de 2025

Redação Jornal de Brasília

25/05/2026 23h57

flávio bolsonaro

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

São Paulo e Brasília, 25 – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, informou ao Senado que ficará fora do País até a próxima quinta-feira. Ele embarcou no domingo para os Estados Unidos, onde pretende ter uma reunião com o presidente Donald Trump. A viagem é uma tentativa de contornar a crise gerada após a revelação do envolvimento do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. O assunto, no entanto, continuava sendo ponto central no projeto presidencial do PL.

Ontem, o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, precisou reafirmar o apoio à pré-candidatura de Flávio e disse que uma eventual substituição do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) está “fora de questão”.

Valdemar apresentou uma justificativa para a visita de Flávio ao banqueiro em novembro de 2025. A visita ocorreu após a primeira prisão do dono do Banco Master pela Polícia Federal. Segundo Valdemar, o senador foi até Vorcaro para “ver se conseguia o restante do dinheiro” para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai.

Na semana passada, Flávio afirmou a jornalistas que esteve na casa do banqueiro para “pôr ponto final nessa história”, em referência à negociação para o pagamento da produção. “(Fui) Dizer que, se ele tivesse avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito tempo, e o filme não correria risco. Foi uma grande dificuldade arrumar outros investidores”, declarou Flávio na ocasião.

‘NORMAL’

Em entrevista à GloboNews, Valdemar disse que o senador foi visitar Vorcaro “para ver se conseguia o restante do dinheiro”. “Nós não temos dúvida de que ele passou dos limites e foi uma barbaridade o que o Vorcaro fez no País, mas o que o Flávio fez é normal. Visitar o Vorcaro também, porque o Vorcaro tinha ajudado ele. E ele queria terminar a relação com o Vorcaro: ‘Olha, vai me pagar? Você vai pagar o restante? Dá para pagar o restante?’”, afirmou.

O dirigente do PL também minimizou as cobranças feitas por Flávio ao dono do Master para obter recursos para o filme. Segundo ele, o senador precisava levantar verba para viabilizar a produção e não tinha muitas opções. Sobre a visita ter ocorrido mesmo em meio aos problemas do banqueiro com a Justiça, ele afirmou: “Ué, fazer o quê?”

Quando provocado a confirmar se Flávio foi pedir o restante dos pagamentos, Valdemar disse não ter tratado do tema com o pré-candidato. “Eu penso que sim. Não conversei esse assunto com o Flávio.”

O presidente do PL disse que fez uma reunião com Flávio para entender como ele responderia ao caso, após a divulgação, pelo site Intercept Brasil, de mensagens e um áudio em que o senador pede dinheiro para financiar o filme sobre o pai.

Na mesma entrevista à GloboNews, Valdemar garantiu que não “passa pela cabeça” do partido retirar o senador da disputa presidencial. Ele disse que “toparia” apoiar a candidatura do filho de Bolsonaro mesmo se já soubesse da relação dele com Vorcaro.

“Teria topado, sim, porque ele não tinha opção. Foi procurar uma alternativa para conseguir fazer o filme do pai e não estava conseguindo arrecadar para isso”, afirmou Valdemar. “Vamos até o fim nessa história, porque ele (Flávio) vai ganhar as eleições “

O presidente do PL disse ainda que já esperava desgaste eleitoral, mas avaliou que o impacto foi menor do que o previsto pela pré-campanha. Na sexta-feira, o Datafolha apontou nove pontos de vantagem de Lula no primeiro turno e empate técnico no segundo, com o petista numericamente à frente: 47% das intenções de voto, ante 43% de Flávio.

Segundo revelações do Intercept Brasil, cerca de R$ 61 milhões de um total aproximado de R$ 134 milhões acertados entre Flávio e Vorcaro para o longa foram enviados entre fevereiro e maio de 2025.

AGENDA

Não foram divulgados detalhes da agenda de Flávio nos Estados Unidos ou se ele se encontrará mesmo com o presidente americano. Caso se confirme, será o primeiro encontro com Trump do senador após ele ser oficializado como pré-candidato à Presidência pelo PL.

Flávio tem mantido viagens regulares aos Estados Unidos desde dezembro, quando anunciou a intenção de concorrer ao Planalto, incluindo participação no Conservative Political Action Conference (CPAC), um dos maiores eventos conservadores do mundo, em março.

Na ocasião, Flávio disse que o Brasil é a solução para reduzir a dependência dos Estados Unidos da China por minerais críticos e afirmou que Lula é antiamericano. O presidenciável também tem usado as viagens aos Estados Unidos para visitar o irmão Eduardo Bolsonaro. Flávio já viajou a países como Israel, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Catar.

Estadão Conteúdo 

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