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Política & Poder

Flávio afirma que Brasil vive ‘guerra espiritual’; Messias rechaça ‘comício’

As declarações ocorreram na presença do advogado-geral da União, Jorge Messias, que representou o governo Lula no evento e rebateu o senador, afirmando que o local não era palco para “comício”.

Redação Jornal de Brasília

04/06/2026 19h55

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou ontem, durante a Marcha para Jesus, que o Brasil vive uma “guerra espiritual”. Segundo ele, o “mundo do mal” vai ser expulso do governo federal neste ano. As declarações ocorreram na presença do advogado-geral da União, Jorge Messias, que representou o governo Lula no evento e rebateu o senador, afirmando que o local não era palco para “comício”. Os dois ficaram em lados opostos no carro de som.

Flávio chegou à Marcha por volta das 10h, acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e dos pré-candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). “O mundo e o Brasil estão passando por uma guerra espiritual. Nada melhor do que estar aqui recarregando as energias e orando pela população brasileira”, disse Flávio, em entrevista para a transmissão oficial do evento.

Desde o fim do ano passado, depois de ser anunciado como pré-candidato ao Planalto pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio se aproximou do público evangélico. Em dezembro, já havia mencionado uma “guerra espiritual” em ato no Espírito Santo, em referência à disputa presidencial, na qual deverá polarizar a disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição.

“Hoje é a maior resposta que podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo deste Brasil neste ano, em nome do Senhor Jesus, amém”, disse Flávio ao público.

No mesmo palco, também em entrevista para a transmissão oficial do evento, Messias foi questionado sobre diferenças políticas e disse que “a mesa de Jesus é para judeus e gentios”, afirmando que até Judas se sentou à mesa de Cristo, sem segregação. Ele permaneceu no canto direito do carro de som, enquanto Flávio se posicionou na extremidade esquerda. Mais ao centro estavam Tarcísio e Nunes. Na entrevista, o chefe da AGU afirmou também que não era “dia de comício”, mas de “agradecimento e louvor” a Deus. A jornalistas, Flávio disse que não havia “climão” pela presença de Messias no evento.

VORCARO

Questionado pelo Estadão sobre o possível impacto entre os evangélicos das conversas entre ele e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e do novo tarifaço do governo Trump, o senador não respondeu e fez críticas ao governo Lula. “Eu sou uma pessoa correta. A gente fez de tudo para fazer um filme em homenagem ao meu pai, que é um cara que merece ter sua história contada em uma grande produção”, disse.

Durante a Marcha, Flávio desceu do carro de som para tirar fotos com o público. Os seguranças tiveram dificuldades para conter a multidão e houve um breve empurra-empurra. Alguns fiéis usavam boné com a inscrição “Flávio Presidente 2026” e estavam com bandeiras de Israel.

CANÇÃO E ORAÇÃO

O carro de som fez o trajeto entre a Estação Tiradentes do Metrô e a Praça dos Heróis da FEB, mesclando orações, louvores e músicas gospel. Tarcísio chegou a pegar o microfone e cantar trechos de uma das canções e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça fez uma oração.

Presidente da Marcha, o apóstolo Estevam Hernandes disse que ainda não definiu, mas que a “tendência natural” é de que apoie Flávio na eleição presidencial. “Até em função do quadro polarizado que nós temos”, disse ele a jornalistas antes do início do evento.

Hernandes afirmou, porém, que o evento é religioso, e não político. “Não estamos colocando ele em um palanque. Ele está vindo participar de um trio como todas as pessoas que são cristãs”, declarou. Ele ressaltou que “todos são bem-vindos” e citou Lula, representado no evento por Messias, que é evangélico

O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) também participou do evento. “O povo de Deus tem que ser governado por alguém que tem integridade moral, dignidade, capacidade de poder dizer aos jovens que eles não serão subordinados ao narcotráfico, não vão viver diante de um governo de corrupção, mas vão viver diante de um governo de esperança”, discursou o pré-candidato do PSD.

Esta foi a 34.ª edição da Marcha. De acordo com o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e a ONG More in Common, 33,8 mil pessoas participaram do ato. Como a margem de erro é de 12%, havia entre 29,8 mil e 37,8 mil participantes às 10h20, horário de pico entre concentração e deslocamento.

LIGAÇÃO

Messias publicou um vídeo nas redes no qual liga para Lula e o coloca para falar com Hernandes. “Não participo de nada religioso em época de eleição porque não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada”, disse Lula a Hernandes. O líder religioso respondeu que era grato pelo petista ter sancionado, em 2009, a lei que criou o Dia Nacional da Marcha para Jesus.

Estadão Conteúdo.

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