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“Faltam documentos”, afirma Barra Torres sobre Butanvac

A expectativa, segundo o próprio Instituto, é que, com a liberação, até 15 de junho, tenha-se 18 milhões de doses prontas para distribuição

Por Geovanna Bispo 11/05/2021 2h19
Foto: Divulgação / Governo do Estado de São Paulo

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, afirmou que faltam documentos para que a vacina Butanvac, do Instituto Butantan, tenha autorização para realizar estudos clínicos. “Faltam documentos e existem discrepâncias que foram apontadas, e que faltam ser respondidas”, informou o presidente. A fala ocorreu hoje (11), durante o depoimento de Barra Torres na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia.

A expectativa, segundo o próprio Instituto, é que, com a liberação, até 15 de junho, tenha-se 18 milhões de doses prontas para distribuição. Enquanto a autorização da Agência não sai, as 1 milhão de doses, que já estão sendo fabricadas, serão armazenadas.

Sputnik V

Além da Butanvac, o imunizante russo Sputnik V, produzido pelo Gamaleya, também aguarda liberação da Anvisa para que seja distribuída. Segundo o presidente, a autorização de uso emergencial dela está em análise, mas que o processo está parado, já que também faltam documentos. “Tão logo eles apresentem, a análise será feita dentro do prazo legal, e o nosso posicionamento será firmado.” A farmacêutica afirma ser capaz de produzir oito milhões de doses da vacina por mês.

Ontem (10), a Agência recebeu prazo de 48 horas, determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, para informar quais são os documentos que estão faltando para a análise definitiva do pedido.

Cloroquina

Durante o depoimento, Barra Torres relembrou a reunião com membros do governo federal, onde se discutiu a alteração da bula da hidroxicloroquina, de forma a incluí-la no tratamento contra a covid-19. O presidente confessou que chegou a se exaltar com a imunologista Nise Yamaguchi, que foi quem sugeriu a mudança.

“Esse documento foi comentado pela doutora Nise Yamaguchi, o que provocou uma reação, confesso, até um pouco deseducada ou deselegante minha. A minha reação foi muito imediata de dizer que aquilo não poderia ser porque só quem pode modificar uma bula de um medicamento registrado é a agência reguladora daquele país, mas desde que seja solicitado pelo detentor do registro.”

Segundo Barra Torres, também participaram da reunião, ocorrida no Palácio do Planalto, o ministro da Saúde da época, Luiz Henrique Mandetta, o da Casa Civil, Braga Netto, e a médica Nise Yamaguchi.

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“Quando houve uma proposta de uma pessoa física de fazer isso [alterar a bula de um medicamento], me causou uma reação um pouco mais brusca. Eu disse: ‘olha, não tem cabimento, isso não pode’. E a reunião, inclusive, nem durou muito mais depois disso”, completou o presidente.






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