Brasília, 22 – A Justiça do Rio de Janeiro aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réu Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC). Fernandes é suspeito de comandar um esquema de “rachadinha” na Câmara Municipal do Rio. Outras seis pessoas, ex-assessores, também se tornaram réus. Carlos não integra o rol dos acusados.
Os sete respondem pelos crimes de organização criminosa e peculato. Segundo o MP-RJ, o grupo participava de esquema de devolução ilegal de parte dos salários de servidores ao responsável pela nomeação aos cargos, Jorge Luiz, em suposta fraude que movimentou cerca de R$ 1,9 milhão entre 2005 e 2021. As informações são da GloboNews.
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Carlos Bolsonaro transferiu o domicílio eleitoral e é pré-candidato ao Senado por Santa Catarina. Ele teve a pré-candidatura lançada em evento com a presença do irmão, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas sua presença enfrenta resistência dentro do próprio PL no Estado.
Como mostrou o Estadão, a chegada do ex-vereador do Rio no cenário catarinense irritou lideranças locais como a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL) e quase desmantelou a chapa montada no Estado: o senador Esperidião Amin (PP) deveria concorrer com apoio dos bolsonaristas, e acabou rifado da aliança com a imposição da família Bolsonaro. O partido fixou Carlos e a deputada federal Carol de Toni para concorrerem às duas vagas abertas ao Senado.
A decisão judicial destacou que “a investigação apurou a existência de um esquema de rachadinha no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro” e que “a justa causa para o recebimento da denúncia restou amplamente comprovada”.
Os acusados têm prazo de dez dias para apresentarem defesa por escrito. Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as decisões anteriores sobre o caso envolvendo Queiroz e Flávio Bolsonaro. As provas obtidas por meio da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos investigados – usadas para embasar a denúncia do MP – foram consideradas nulas.
O caso voltou à tona com investigação sobre a “Abin paralela”. Em julho de 2024, o ministro do STF Alexandre de Moraes retirou o sigilo do áudio de uma reunião em que Bolsonaro, o general Augusto Heleno (então chefe do GSI) e o ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem discutem plano para anular o inquérito das rachadinhas.
Estadão Conteúdo