BRUNO RIBEIRO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, disse em sua primeira manifestação após a operação da Polícia Civil desta segunda-feira (1º), da qual foi um dos alvos, que colabora com as investigações.
“A equipe jurídica do instituto contratou perícia e auditoria especializada para oferecer suporte técnico e jurídico a todo o processo de investigação”, afirmou a entidade, por meio de nota distribuída na tarde desta terça-feira (2).
A Polícia Civil investiga o instituto por suspeitas de desvio de recursos da Prefeitura de São Paulo em um contrato de R$ 108 milhões assinado em 2024 para fornecimento de wi-fi em bairros da cidade. O contrato, de acordo com o inquérito do caso, possui indícios de sobrepreço e de pagamentos feitos sem prestação dos serviços.
Ainda de acordo com a polícia, há indícios de mistura entre as contas do instituto e da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo “Dark Horse”, e de que recursos da prefeitura podem ter sido usados na produção do filme sobre Jair Bolsonaro (PL).
A nota não rebate nenhuma das suspeitas levantadas no inquérito policial. No texto, o instituto afirma que “recebeu e cumpriu integralmente o mandado judicial expedido pelas autoridades competentes, colaborando de forma transparente, respeitosa e imediata com todos os procedimentos realizados”.
Ainda segundo a entidade, “desde o primeiro momento, a instituição colocou-se à disposição das autoridades para fornecer documentos, informações e quaisquer esclarecimentos que sejam considerados necessários para a completa apuração dos fatos”.
O texto segue dizendo que a perícia e a auditoria contratadas “constituem instrumentos legítimos para o aprofundamento das análises técnicas e para o esclarecimento de questões de interesse público”.
“Reafirmamos nossa convicção de que os procedimentos em curso permitirão demonstrar a regularidade das ações desenvolvidas pela instituição, bem como evidenciar a correta aplicação dos recursos e a inexistência de desvio de finalidade nos projetos executados”, afirma a entidade.
A produção “Dark Horse” é baseada no atentado contra o ex-presidente Bolsonaro, ocorrido em 2018.
O site The Intercept Brasil publicou áudios e mensagens que mostram Flávio negociando com Daniel Vorcaro, do Banco Master, o financiamento da produção.
O portal revelou que Vorcaro repassou R$ 61 milhões para o longa-metragem. A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro foi usado para financiar gastos do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Flávio nega que haja algo ilícito no pedido de ajuda ao ex-banqueiro. Eduardo nega ter tido acesso aos recursos.