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Política & Poder

Em BH, Lula ignora operação contra líder do governo

O Palácio do Planalto desaprovou a estratégia usada pelo senador, que usou o presidente como escudo para se defender das suspeitas

Redação Jornal de Brasília

19/06/2026 20h49

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

São Paulo e Brasília, 19 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ignorou ontem, em discurso em Belo Horizonte, a operação da Polícia Federal, no dia anterior, contra seu líder de governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Ao anunciar investimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) em oncologia em um hospital na cidade, Lula falou de programas de governo, da pandemia de covid-19, de violência contra mulher e até da convocação de Neymar pela seleção e da qualidade de Marta na seleção feminina, mas não tratou da investigação sobre o aliado.

Como mostrou o Estadão, o Palácio do Planalto desaprovou a estratégia usada pelo senador, que usou o presidente como escudo para se defender das suspeitas que pesam contra ele. Wagner disse, em entrevista à BandNews, que Lula não iria tirá-lo da liderança do governo no Senado, buscando demonstrar confiança total do amigo-presidente. Auxiliares de Lula, porém, enxergam a situação do líder do governo no cargo como caminhando para ficar insustentável.

Wagner foi alvo da PF em operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os investigadores apontam que ele teria recebido um apartamento de R$ 2,5 milhões e propina de R$ 3,5 milhões de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Em troca, o senador e líder do governo atuaria a favor da instituição financeira no Congresso.

A assessoria de Wagner divulgou nota após a operação, negando irregularidades, sustentando que não atuou a favor do Master e que está à disposição das autoridades.

Mendonça conduz duas das investigações que podem atingir o governo: a do caso Master e de desvios no INSS.

500 ANOS. No discurso em Belo Horizonte, o presidente disse que “500 anos de desmazelo não se consertam em dez ou 15 anos” e que “ainda tem muito problema no Brasil”.

“Sabemos que ainda tem muito problema no Brasil. Sabemos que 500 anos de desmazelo não se consertam em dez ou 15 anos, mas queremos dizer que esse país nunca mais verá o povo pobre ser tratado como se fosse de terceira classe”, declarou Lula.

Ele também elogiou o Sistema Único de Saúde (SUS) e disse que o sistema “estava preparado” para dar suporte à população durante a pandemia de covid-19. “O SUS, por muito tempo, foi atacado, desmoralizado. Só mostravam o SUS com gente no corredor e dormindo no chão. Como Deus é grande e escreve certo por linhas tortas, aconteceu uma desgraça neste país que foi a covid-19. Quando a covid chegou, quem estava preparado? O SUS, com seus funcionários, enfermeiros, médicos, motoristas, limpadoras”, afirmou.

MARTA

Na parte final do evento, Lula chegou a brincar com uma criança. Ao falar sobre a importância do respeito dos homens pelas mulheres, exaltou a jogadora de futebol Marta, múltiplas vezes escolhida melhor do mundo.

Estadão Conteúdo

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