Perto do prazo limite de desincompatibilização, pelo menos 11 administradores das 31 regionais, deverão deixar sua cadeiras até o dia 4 de abril para disputar as próximas eleições. Mas o afastamento não garante que o administrador pré-candidato esteja mesmo na corrida eleitoral.
Todos precisam do aval dos partidos, que só darão a palavra final sobre as candidaturas nas convenções partidárias, dois meses depois de os administradores terem se afastado. Mas eles já costuram apoios.
O fato de estarem próximos às comunidades no dia a dia e saberem dos problemas que cada cidade enfrenta pode ajudá-los a conquistar eleitores. Além de poderem contar com seus padrinhos políticos.
Apesar de dizer que está à “disposição do partido e de suas forças coligadas”, o administrador de Brasília Messias de Souza, no cargo desde o começo do governo Agnelo, deixará o cargo para buscar a vaga de deputado federal que já disputou na eleição passada. A confirmação da candidatura veio do presidente do PC do B, Augusto Madeira. “É, sim, interesse do partido lançar o Messias candidato a deputado federal”, disse.
Membro da executiva do Partido dos Trabalhadores (PT), o administrador de Brazlândia, Bolívar Rocha, também se diz à disposição do partido. “Quero fazer uma boa administração em Brazlândia. Trabalho pela reeleição do governador, mas estou pronto para seguir a vontade do partido”, afirma. Traduzindo: apesar do suspense, a candidatura de deputado distrital é dada como certa pelo PT.
Porta de entrada
Alguns administradores veem na passagem pelas regionais uma porta de entrada para a vida pública. Filiado ao PMDB, e com uma candidatura à Câmara Legislativa no currículo, no pleito de 2006, o administrador do Recanto das Emas, Sebastião Pinho, pretende concorrer novamente a uma vaga de distrital. Afirma estar pronto para deixar o cargo até abril, mas está ciente que nem a passagem pela administração da cidade, e muito menos a filiação, podem lhe garantir a candidatura. “Tenho vontade, mas, como filiado, dependo das decisões do partido”, ressaltou.
O Partido Verde também terá um administrador candidato. Wander Azevedo, do Lago Sul, concorrerá a uma vaga na Câmara Legislativa. Assim como a administradora do Lago Norte, Sandra Faraj, do Solidariedade.
Os que ficarão
Entre os que não irão se candidatar, está Marcelo Ceciliano (PPL), administrador do Sudoeste/Octogonal. “Para essa eleição, eu não tenho interesse em sair candidato. Vou preferir dar minha contribuição nos bastidores mesmo”, conta. Já Francisco Freitas (PTC), administrador do Varjão, diz que não poderá lançar candidatura por causa do partido, mesmo reconhecendo ser um de seus grandes objetivos. Segundo ele, os interesses do partido se sobrepõem à vontade pessoal.
Ponto de Vista
Para o deputado distrital Chico Vigilante, o cargo de administrador traz a vantagem da proximidade com o eleitorado, mas não constitui garantia de continuidade na vida politica. Por isso, avalia, há tanto pontos negativos quanto positivos nessa relação. A tese de Vigilante é que, se for feito um bom trabalho, a visibilidade contribui para uma futura candidatura. Porém, se for uma má administração, a mesma visibilidade se torna calcanhar de Aquiles do administrador, pois haverá uma grande número de pessoas falando contra seu trabalho. Contudo, afirma o deputado, há casos em que os partidos ignoram esse termômetro e lançam os candidatos a revelia das comunidades. O deputado defende que a relação entre os interesses partidários e os interesses das cidades tem de ser vista com prudência. “O padrinho político, muitas vezes, indica um nome para administrador sem ter em mente que, se for um trabalho ruim, pode tirar votos dele”, diz.
A participação dos moradores