A ex-coordenadora do Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde, Franciele Fantinato, disse nesta quinta-feira (8), em sessão da CPI da Pandemia, que o ex-secretário-executivo Elcio Franco mandou retirar do PNI pessoas privadas de liberdade (presidiários).
Franciele falou sobre a retirada do grupo e foi perguntada pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) sobre quem mandou retirar. A ex-coordenadora, então, revelou o nome de Elcio Franco.
A servidora diz não recordar a data exata em que Elcio determinou a retirada. “O plano saiu no dia 16 de dezembro [de 2020]. Então, foi um pouco antes, na primeira quinzena de dezembro”, explicou Franciele.
A vacinação de pessoas privadas de liberdade deve ser priorizada junto a outros grupos porque, segundo especialistas, é grande a chance de rápida contaminação de membros do sistema carcerário — não apenas presos, mas também agentes penitenciários. Neste sentido, Eliziane Gama ressaltou: “Presidiário recebe visitas, recebe esposas, filhos, familiares… eles contaminados vão contaminar também as pessoas que estão em casa, inclusive suas famílias.”
Após a confirmação, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), comentou que seria importante a reconvocação de Elcio à CPI e disse ainda que o ex-secretário-executivo será indiciado ao final dos trabalhos da comissão. “Se tem alguém que não tenho duvida que deve constar como indiciados por esta comissão parlamentar de inquérito é este senhor.”
A CPI deve optar pela reconvocação porque Elcio Franco foi amplamente citado na quarta (7) pelo ex-diretor de Logística Roberto Dias. Dias atribuiu diversas medidas sobre o polêmico contrato de compra da Covaxin à Secretaria-Executiva. O senador Humberto Costa (PT-PE) chegou a dizer que Elcio fica “muito complicado” após o depoimento de Dias. O ex-diretor de Logística chegou a ser preso por, no entendimento da CPI, faltar com a verdade em algumas perguntas.