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Brasil

Operação prende seis suspeitos de se infiltrar em prefeituras de SP para lavar dinheiro do crime

A Justiça também contou 22 buscas e apreensões e determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens ligados aos investigados

Redação Jornal de Brasília

27/04/2026 15h36

Foto: PCSP/Divulgação

Foto: PCSP/Divulgação

ANDRÉ FLEURY MORAES
FOLHAPRESS

Uma operação da Polícia Civil de São Paulo prendeu na manhã desta segunda-feira (27) quatro pessoas suspeitas de se infiltrar no setor público para, por meio de contratos públicos, lavar dinheiro do tráfico de drogas para a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Os mandados foram cumpridos em sete cidades paulistas —São Paulo, Ribeirão Preto, Guarulhos, Santo André, Mairinque, Campinas e Santos— e em Goiânia, Brasília e Londrina (PR).

A Justiça também autorizou 22 buscas e apreensões e determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens ligados aos investigados.

As diligências desta segunda são um desdobramento de uma primeira operação, de 2024, e resultam da apreensão de dispositivos eletrônicos que armazenavam informações sobre o funcionamento da quadrilha.

A principal estratégia dos investigados estava no uso de contratos entre prefeituras e uma fintech, a 4TBank, responsável por operacionalizar o esquema de lavagem de dinheiro de acordo com a Polícia Civil.

Duas pessoas são apontadas como lideranças dessa ampliação da rede de negócios.

A primeira delas é João Gabriel de Mello Yamawaki, criador da fintech 4TBank e responsável pela interlocução do grupo com a classe política. Era uma tarefa que realizava ao lado do ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula, também preso nesta segunda-feira e braço-direito de Yamawaki segundo as investigações.

Thiago é suspeito de manter ligações com a principal liderança do PCC na região do ABC, conhecido como “Beiço de Mula”.

Não por acaso, apontam as investigações, “existem indícios verossímeis de que uma das atividades criminosas executadas pela organização criminosa —senão a principal delas— é o tráfico de drogas”.
Os outros três presos na operação desta segunda são ligados a Yamawaki e atuavam para camuflar a origem ilícita dos recursos.

Além deles, porém, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a agentes políticos.

Um dos alvos é o ex-secretário de Finanças de Santo André Pedro Seno, atual diretor de Tecnologia da Fundação do ABC, a FUABC, entidade que mais recebe verba pública em contratos na saúde em todo o estado de São Paulo.

No ano passado, a fundação foi citada nas investigações que levaram o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) a afastar o prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima, em decisão posteriormente revertida.

Procurada no início da tarde desta segunda, a Fundação do ABC afirmou ter afastado Seno de suas funções após o contato da reportagem para “assegurar a devida apuração dos fatos, bem como garantir ao profissional o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa”.

“Adicionalmente, importante ressaltar que, com base nas informações preliminares divulgadas pela imprensa, não há nenhuma relação da operação policial mencionada com a Fundação do ABC e suas atividades.”

A Polícia Civil também fez buscas em endereços relacionados a outros agentes políticos.

Um deles é ligado a Matheus Tognella, presidente do PSB de Nova Odessa, no interior de São Paulo, que já ocupou cargo na Prefeitura de Campinas, de acordo com a polícia.

Segundo as investigações, ele teria mantido contato com o ex-vereador Thiago Rocha, preso nesta segunda, para levar a 4TBank ao município.

A reportagem ligou e enviou mensagens a Tognella, mas não obteve resposta. A prefeitura de Campinas disse em nota que o caso não guarda relação com a atual gestão.

Diálogos encontrados por investigadores apontam para outras ligações entre a organização criminosa e o PSB.

Em uma das conversas entre o ex-vereador de Santo André e o criador da 4TBank, por exemplo, a Polícia Civil identificou fotos entre o advogado Gabriel Miceli de Carvalho, candidato derrotado do PSB a vereador de Santos em 2024 e atual diretor de Conselhos Municipais e Inovação da subseção da OAB de Santos.

“Santos no mapa. Nosso mapa eleitoral”, escreveu o ex-vereador agora preso. Para a polícia, há indícios de que Miceli “seria de interesse para o grupo político ou até mesmo para o PCC”.

A Folha ligou duas vezes para o telefone que consta do cadastro de Miceli na OAB, mas não conseguiu contato. A subseção da Ordem dos Advogados em Santos não respondeu ao e-mail enviado pela reportagem.

Numa outra mensagem, Rocha disse a Yamawaki, a quem se referiu como “líder”, que “entramos em Ribeirão [Preto]”. Era uma referência a Marcos Papa, na época vereador do município do interior de São Paulo e que também teria demonstrado interesse pelos serviços da 4TBank.

Marcos Papa não atendeu nem respondeu às mensagens encaminhadas pela Folha tanto pelo WhatsApp como pelas redes sociais.

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