Na manhã desta quarta-feira (1), o presidente Jair Bolsonaro compartilhou um vídeo em que um suposto trabalhador fala que uma unidade da Ceasa em Minas Gerais está desabastecida por conta do isolamento social vivido no país. As informações da filmagem são falsas: a Ceasa em questão não sofreu alterações no funcionamento devido à pandemia.
Quem explica é o próprio presidente da Associação Comercial da Ceasa-MG, Noé Xavier da Silva. Ele conta que o vídeo foi, sim, gravado no local, mas feito em um momento em que ocorria a higienização do espaço como medida preventiva à contaminação. Apenas por isso os produtores e comerciantes desocuparam o espaço.
“O que acontece é que o movimento na Ceasa é mais forte na segunda, quarta e sexta. Na terça, quando o vídeo foi gravado, esse movimento é mais fraco, e naquele dia estava sendo feita a desinfecção do mercado livre do produtor, por isso, foi pedido para que eles retirassem as mercadorias do local para que a higienização fosse feita.”
Diferentemente do que foi divulgado no vídeo postado por Bolsonaro neste 1º de abril, não há desabastecimento na Ceasa de BH. O repórter Pedro Bohnenberger esteve lá na manhã desta quarta-feira e conversou com os responsáveis do local. Veja!#CBNcontraocoronavírus #NoArNaCBN pic.twitter.com/YefIf0AypI
— Rádio CBN (@CBNoficial) April 1, 2020
Fim do isolamento
Ao compartilhar o vídeo falso, Bolsonaro reforçou o fim do isolamento social para evitar desemprego em massa. Ao compartilhar, o presidente sinalizou que as imagens do vídeo são “fatos e realidades que devem ser mostradas”. “Depois da destruição não interessa mostrar culpados”, afirmou.
A fala vem menos de 24 horas depois de um discurso em cadeia nacional, transmitido na noite de terça (31). Na ocasião, Bolsonaro ponderou que empregos têm que ser preservados, mas também falou que é importante valorizar-se a saúde durante a pandemia e que sua preocupação sempre foi “salvar vidas”.
Na contramão do próprio Ministério da Saúde e até da Organização Mundial de Saúde (OMS), Bolsonaro tem se posicionado contra o isolamento, alegando que a população precisa trabalhar para que não haja colapso na economia. O presidente chegou a distorcer uma fala do chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que teve de vir a público desmenti-lo.