Segundo o cronograma da Câmara Legislativa, a sessão ordinária de hoje deveria ser a última do ano. Deveria. Apesar da correria para aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) – sem a qual os parlamentares não podem sair para o recesso – e outros projetos relevantes, o início do descanso dos distritais pode ser adiado pela presidência da Casa.
A proposta será levada à reunião de líderes, hoje, pelo presidente Wasny de Roure (PT), que considera que o momento não é propício para que os parlamentares saiam para o descanso legislativo. “Vamos propor que o recesso seja adiado por conta do momento delicado que estamos vivendo. Vou pedir também que os deputados permaneçam em Brasília”, anuncia Wasny.
Agenda a definir
O presidente diz ainda que, caso o adiamento seja aprovado, o Legislativo deverá resgatar alguns projetos de interesse da sociedade, que não foram apreciados, embora não detalhe quais.
A proposta de Wasny não alcança consenso sequer em seu partido. O líder do bloco PT-PRB, Chico Vigilante, argumenta que as reivindicações dos manifestantes nada têm a ver com a Câmara e que será difícil garantir presença no período destinado ao recesso.
Oposição apoia
Já a oposicionista Liliane Roriz aprova a ideia. “Acho que o presidente está certo. Precisamos de mais tempo para analisar projetos com cuidado e não deixarmos passar projetos submarinos – despercebidos –, já que o governo manda matérias em cima da hora”, disse.
Entre os projetos do Executivo a serem votados estão: a alteração dos critérios do Programa Bolsa Família/DF Sem Miséria e a que dispõe sobre eventos no DF.
Esforço extra para esvaziar agenda cheia
Mesmo com a possibilidade de adiamento do recesso, ao menos dez projetos do Executivo, entre eles a LDO, e outros 48 projetos de parlamentares devem ser votados na sessão de hoje. Para que isso seja possível, a líder do governo Arlete Sampaio (PT) acha necessário um esforço concentrado dos distritais.
“A votação dos projetos dependerá muito de como as comissões se comportarão. Precisamos que elas deem celeridade à analise e enviem as matérias para que nós possamos votar. Precisamos que, principalmente, a LDO seja votada, pois se ela não for a plenário poderemos realizar sessões extras”, declara Arlete.
Evitar atrasos
A presidência pediu ao Executivo que enviasse os projetos a Câmara Legislativa até a última sexta-feira, para evitar atrasos nas comissões.
Pelo menos um dos projetos relevantes, que trata do plano de carreira dos servidores do Departamento de Estradas e Rodagem (DER-DF), deve ficar de fora, por falta de consenso entre as partes. Ele só chegou a Casa na terça-feira, após o fim do expediente, por isso deverá ficar para depois do recesso de julho.