Inconformada com o acordo feito na Câmara, entre o relator do Código Florestal, deputado Luiz Henrique (PMDB-SC), e a bancada ruralista, a presidente Dilma Rousseff inaugurou uma nova forma de cobrança de seus ministros: o envio de bilhete flagrado por fotógrafos, durante reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, ontem, no Palácio do Planalto.
“Por que os jornais estão dizendo que houve um acordo ontem no Congresso sobre o Código Florestal e eu não sei de nada?”, reclamou a presidente, em bilhete endereçado às ministras Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, e Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, mas entregue primeiro à Ideli, pelo chefe do cerimônia da Presidência.
“Não houve acordo com o Congresso e o governo. A posição do governo era de defesa da MP com foco especial na escadinha. O relatório votado manteve a escadinha”, explicou Ideli, na parte que pôde ser registrada pelas câmeras.
negociações sem o governo
Em seguida, em seu discurso, a presidente Dilma, demonstrando sua insatisfação em relação ao acerto no Congresso, afirmou: “Governo não assume responsabilidade por negociações que não foram feitas com a presença dele”, desabafou, ressalvando, no entanto, que “o governo está aberto a negociações”.
A presidente Dilma quer que, no Senado, a base governista modifique o texto aprovado na comissão mista, já que acredita que ele será referendado pelo plenário da Câmara. Quer que o Senado retome o texto original, com uma área maior de recomposição ambiental na beira dos rios, do que a que foi aprovada na comissão especial na quarta-feira.
Após a cerimônia, a ministra Izabella disse que “o governo vai continuar o diálogo e tentar ver como vai corrigir isso”. Segundo Izabella, o resultado da votação é “um retrocesso do ponto de vista de recuperação ambiental, porque iguala os grandes proprietários aos pequenos”.
A ministra acrescentou ainda que a decisão da comissão mista “não foi pactuada com o poder Executivo, que sempre teve a posição de manter a medida provisória fundamentalmente na escadinha”.
A ministra Ideli, por meio de nota, afirmou que, durante toda a tramitação do texto, todos os ministérios envolvidos na discussão “sempre deixaram claro que o ideal era manter a proposta original da MP 571”.