A presidente Dilma Rousseff e o presidente do Uruguai, José Mujica, apoiaram nesta segunda-feira seus planos de integração bilateral em uma aliança que aproveite a bonança econômica regional pela via da cooperação científica e tecnológica.
Em sua primeira visita a Montevidéu desde que assumiu o cargo, Dilma afirmou em ato oficial ao lado de Mujica que a “relação estratégica entre Brasil e Uruguai deve olhar para o futuro”.
“Para nossos países o futuro já começou. Viemos de um processo em toda América Latina, no Brasil em particular, no qual o futuro começava amanhã. Hoje temos o orgulho de dizer que somos uma das regiões que mais cresceu no mundo”, declarou.
A presidente destacou também que as “áreas tradicionais de cooperação foram modificadas em favor das áreas da ciência, da tecnologia, a inovação”.
“O futuro está começando efetivamente em nossos países e vamos aprofundar essa ambição de cooperação e a sinergia de nossas cadeias produtivas, industriais e comerciais”, prometeu.
As declarações de Dilma aconteceram após a assinatura de vários acordos bilaterais nas áreas de energia, ciência, segurança, habitação, saúde, infraestrutura e comunicações.
O presidente do Uruguai agradeceu tanto sua colega como o seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, pela atenção voltada para as relações bilaterais, apesar da diferença de tamanho entre Uruguai e Brasil.
Curiosamente, esse desequilíbrio não impediu que em 2010 a troca comercial entre os dois países – de cerca de US$ 3 bilhões – fechasse com um superávit de US$ 43 milhões para o Uruguai.
Mujica também se mostrou favorável a “unir a inteligência, a pesquisa e o conhecimento” na luta por um futuro melhor para os povos brasileiro e uruguaio, e propôs um plano ainda em desenvolvimento para criar “universidades de fronteira”.
“Nunca estaremos integrados na América Latina senão alcançarmos a integração da inteligência”, advertiu.
Mujica recebeu Dilma nas instalações do Laboratório Tecnológico do Uruguai, principal centro de desenvolvimento de novas tecnologias do país que possui um laboratório dedicado à televisão digital com equipamentos doados pelo Brasil e avaliados em US$ 600 mil.
O Governo do Uruguai decidiu em dezembro do ano passado adotar o padrão digital nipo-brasileiro (ISDB-T) apesar do presidente anterior, Tabaré Vázquez, preferir o padrão europeu (DVB-T).
Mujica justificou a decisão, lamentada pela União Europeia, por razões “geopolíticas” relacionadas com a pertinência do Uruguai no Mercosul.
Os acordos assinados nesta segunda-feira buscam também a massificação do acesso à internet de banda larga nos dois países e uma maior cooperação em campos especializados como a biotecnologia e a nanotecnologia.
Em matéria de infraestrutura, os acordos destacam a hidrovia que pretende conectar o Uruguai com o Rio Grande do Sul e a construção de uma ponte sobre o fronteiriço Rio Jaguarão.