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Política & Poder

Dilma e Cristina Kirchner querem blindar América do Sul da crise mundial

Arquivo Geral

29/07/2011 21h54

As presidentes do Brasil e da Argentina, Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner, afirmaram nesta sexta-feira que a América do Sul deve adotar medidas conjuntas para se blindar contra a crise financeira global.

 

 

“Temos que defender nossos países da valorização das moedas e da avalanche de produtos que não encontram mercado nos países desenvolvidos e afetam nossas indústrias”, declarou Dilma.

 

 

A governante argentina, em sua primeira visita oficial ao Brasil desde que Dilma assumiu, disse que o assunto foi tratado na cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) realizada em Lima nesta quinta-feira, durante a posse de Ollanta Humala como novo presidente peruano.

 

 

“É necessário adotar medidas comuns para defender os avanços conquistados e a inclusão social”, opinou Cristina.

 

 

De acordo com as únicas mulheres presidentes da região atualmente, a América do Sul acumulou nos últimos anos um forte desenvolvimento nas áreas social, econômica e industrial, que deve ser protegido de um possível agravamento da crise global.

 

 

Dilma esclareceu que não se trata apenas do que possa gerar uma possível moratória nos Estados Unidos, mas de um mundo que mergulhou em uma grande incerteza.

 

 

No entanto, a presidente garantiu que os países sul-americanos, em seu processo de integração, têm agora “a oportunidade histórica de aprender com os erros dos outros”, entre os quais citou a União Europeia (UE), em clara alusão às turbulências no bloco comunitário.

 

 

Embora tenham sido enfáticas em relação à necessidade dessa “blindagem” ser de caráter regional, nem Dilma nem Cristina deram pistas sobre quais seriam as medidas comuns que devem ser adotadas.

 

 

Nesse sentido, remeteram ao futuro imediato e a uma reunião que terão na próxima semana em Lima os ministros de Economia da região e a outra que reunirá em agosto em Buenos Aires os presidentes dos Bancos Centrais.

 

 

Dilma e Cristina também concordaram que a América do Sul é atualmente, com seus 400 milhões de consumidores, o “mercado mais atraente” em um mundo no qual os países mais desenvolvidos estão marcados por recessão, desemprego e problemas fiscais.

 

 

Sobre a relação bilateral, as presidentes anunciaram a criação de um Conselho Empresarial que terá como tarefa a busca por uma maior cooperação e de oportunidades conjuntas, mas também de soluções às diferenças comerciais que surgem entre ambos países.

 

 

O comércio entre Argentina e Brasil atingiu no ano passado o montante de US$ 33 bilhões e mantém uma curva crescente desde janeiro deste ano.

 

 

Após a reunião de trabalho, a declaração perante a imprensa e o almoço na sede do Ministério das Relações Exteriores, as duas presidentes voltaram a se encontrar na cerimônia de inauguração da nova embaixada da Argentina no Brasil.

 

 

Esse ato serviu também para homenagear o ex-presidente argentino Néstor Kirchner e contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

 

Dilma afirmou que a nova embaixada “é parte do legado que o presidente Kirchner e o presidente Lula deixaram para Brasil e Argentina” e evocou a forte amizade pessoal que ambos forjaram durante seus mandatos.

 

 

Cristina, claramente emocionada, disse que Kirchner e Lula “se atreveram juntos a ir contra todos os paradigmas desconhecidos” para revitalizar a relação muitas vezes tensa entre os dois maiores membros do Mercosul.

 

 

“O Mercosul era quase uma peça de museu, mas Néstor (Kirchner) e Lula foram além e o fizeram maior, mais forte”, declarou a presidente argentina.

 

 

Lula, também com algumas lágrimas nos olhos, retribuiu os elogios. “Kirchner, neste momento, deve estar pensando pobre de mim e pobre de Lula, porque a presidente Dilma e a presidente Cristina vão fazer história na América do Sul”, concluiu.

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