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Política & Poder

Denúncias de violência digital contra mulheres sobem 188,6%

Ministério das Mulheres atualizou o protocolo do Ligue 180 e capacitou atendentes para lidar com crimes em ambientes virtuais.

Redação Jornal de Brasília

22/06/2026 21h15

novo protocolo de acolhimento e encaminhamento de denuncias de violencia digita02

© Arte Ministério das Mulheres

As denúncias de violência contra mulheres no ambiente digital cresceram 188,6% em um ano, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (22) pelo Ministério das Mulheres. De janeiro a maio deste ano, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 recebeu 16.725 denúncias do tipo. No mesmo período do ano passado, foram 5.795 ocorrências.

O levantamento mostra que redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e outros ambientes virtuais vêm sendo usados para controlar, ameaçar, humilhar, expor indevidamente, perseguir, intimidar, chantagear ou ferir a dignidade e o corpo de meninas e mulheres. Em entrevista à imprensa, a ministra Márcia Lopes afirmou que o aumento das denúncias pode refletir uma redução das subnotificações, com mais confiança no serviço e melhor acolhimento às vítimas.

Para adequar o atendimento do Ligue 180 a esse tipo de violência, o Ministério das Mulheres, em parceria com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom/PR), promoveu entre 9 de junho e esta segunda-feira (22) a qualificação de cerca de 350 atendentes da central. A atualização do protocolo e do formulário de atendimento também inclui novos tipos de violência digital, com o objetivo de orientar melhor as vítimas sobre como agir em casos de crimes cometidos no ambiente virtual.

Segundo o ministério, as denúncias de violência no espaço digital saltaram da sétima posição, em 2025, para a quinta, em 2026. Os dados também indicam que a violência digital afeta diferentes perfis de forma desigual: quase metade das vítimas registradas no Ligue 180 no ano passado eram mulheres negras, sendo 37,5% pardas e 10,5% pretas, enquanto 34,2% eram brancas. A faixa etária com mais denúncias foi a de 35 a 44 anos, com 21,6% dos casos.

A qualificação das atendentes e a atualização do protocolo seguem as orientações do decreto presidencial nº 12.976/2026, que entrou em vigor na última sexta-feira (19) e estabelece deveres das plataformas digitais diante de crimes de violência contra mulheres na internet. A norma prevê mecanismos de prevenção e combate e fixa, por exemplo, prazo de duas horas para remoção de imagens não consentidas de nudez ou de ato sexual privado, além de equiparar deep nudes a imagens reais.

O Ministério das Mulheres também lançou a campanha nacional O Digital é Nosso Lugar, com o tema “Nossa Conexão é Livre. Proteja. Denuncie. Ligue 180”, para divulgar o novo decreto e orientar a sociedade sobre violência digital contra mulheres.

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